segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Em defesa das APAES



O protesto que aconteceu no último dia 7, foi para que seja mantido o texto da Meta 4 do PNE (Plano Nacional de Educação) que mantém a opção das pessoas com deficiência intelectual de serem matriculadas nas escolas de educação especial, como as escolas das APAES, por exemplo. Quem defende a inclusão total, radical, como queiram chamar, por acaso conhece de fato a realidade desses alunos, ou será que está apenas debruçado em ideologia? Não devemos abandonar a teoria, óbvio, mas na prática a história é outra. 

Estive na APAE como psicóloga nos últimos 4 anos e a verdade é que, felizmente, essas pessoas podem contar com profissionais especializados que buscam defender os interesses das pessoas com deficiência intelectual, inclusive tendo que dar pitaco lá no ensino regular para a coisa não degringolar. É importante esclarecer que a escola especial (não curto esse nome, mas fazer o que?) é uma modalidade de ensino e não substitui nem exclui a escola regular (odeio esse nome também), ambas podem complementarem-se.


E mais: há alunos na APAE em idade escolar que possuem a deficiência intelectual grave + cegueira + uso de fraldas + irritabilidade a barulho, por exemplo, ou outras deficiências e dificuldades associadas. Então o que essa pessoa ganhará indo para a escola regular? Essa tem que ser a questão balizadora de toda discussão: o que cada aluno ganha/perde com isso? Temos que olhar a necessidade de cada um, porque uns têm condições de ir ao ensino regular, mas outros não. Ou respeitamos as necessidades dessas pessoas ou cairemos no mesmo erro da exclusão: violaremos direitos e pessoas.

Dante de tudo isso, pergunto: o ensino regular está preparado para receber TODAS as pessoas com qualidade e dignidade? Penso que não. TALVEZ um dia esteja, mas o momento atual é de construção, de soma, de diálogo, não de jogo de forças. Ah, e por obséquio, deveriam fechar o Congresso Nacional, não as APAES. Boa tarde!