quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Esqueeeeeeeenta!


Gente bonita, eu queria escrever sobre o programa Esquenta! da Regna Casé que foi ao ar no dia 09/12, domingo, mas meu amigo e colunista da Folha de S.Paulo, Jairo Marques, foi tão brilhante que pedi autorização para compartilhar. Em seguida faço meus comentários:

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"Vou me atrever a dizer que o programa ´Esquenta´, tocado pela Regina Casé, na ´Grobo´, foi uma das maiores exibições positivas de gente ´quebrada´ da televisão brasileira. Por mais de duas horas, um povão sem perna, sem braço, cadeirante, cegão, gente pequena e gente prejudicada total das partes ocuparam um espaço nobre da programação mais assistida do país. E Regina Casé detonou. Pouca gente consegue ser tão espontânea diante de tanta diversidade humana. Geralmente, a reação é ficar com receio, é medir palavras, é fazer cara de dó. O que vi foi uma bagunceira, uma felicidade e uma multidão de informações. Rapidinho já havia pelas ´internets´ uma bobagem de alguém criticando uma ´gafe´ da apresentadora ao brincar com quem não tinha braço… pelamor, a pessoa que escreveu a notinha é quem deveria botar a cara dentro de um buraco e ficar lá durante um mês, de tanta desinformação...

O programa contou com uma entrevista com a presidente Dilma, que não falou nada demais e só aproveitou o espaço para pagar de boazinha, mas não acho que isso tenha tirado o brilho do espetáculo. Falou-se de tudo no ´Esquenta´: das possibilidades de vida de um ´malacabado´, de seus potenciais, de seus perrengues, de suas demandas. Isso tudo num ambiente absolutamente misturado, uma ‘coididoido’, como se diria lá em Minas… kkkkkkkkkk

Houve também uma abordagem inteligente sobre precauções para que se evite engrossar mais a fila dos quebrados, falou-se a respeito de direitos, de possibilidades. Claramente, a produção sabia do que estava falando… Assistindo aqueles debates todos, refleti, mais uma vez, sobre o tamanho da força da organização das pessoas. E o avanço das demandas dos ‘estropiados’ vem justamente de gritos incansáveis de quem não anda, não vê, não ouve e nem nada! Felizmente, o processo de ´dominação do mundo´ para que ele se torne mais justo e inclusivo a todos continua esquentando…. e bora tocar mais fogo nisso!"
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Concordo plenamente com o Jairo. É bem verdade também que os discursos são sempre bonitos, ideais e nem sempre condizem com a realidade. Entretanto, quem conhece a história do movimento social das pessoas com deficiência no Brasil e no mundo, sabe bem que até pouco tempo atrás as pessoas com deficiência ocupavam os porões das sociedades - figurativa e literalmente. Ser deficiente, ao longo da história, significou transitar pela bênção ou maldição. Sempre fomos divinos, abençoados ou malditos, rejeitados. Acredito bastante no papel social que a mídia exerce sobre todos nós e confesso que estou acostumada a ficar aborrecida com reportagens sensacionalistas, que pregam a deficiência como uma tragédia. Portanto, ao assistir o Esquenta! no último dia 9, estive, pela primeira vez, totalmente rendida pela abordagem que um programa de TV utilizou para falar desse tema - e, de certa forma, para falar de mim. Olha, Regina Casé, minha filha, você AR-RA-SOU: falou com naturalidade daquilo que ainda é desconhecido para muitos. Outra koisa: discutir deficiência sob a perspectiva do modelo social e respeitá-la como condição humana em pleno horário nobre de domingo numa das maiores emissoras de TV do mundo, não é pouca koisa, minha gente. O que assisti naquele programa foram reflexões que resultam em mais informação e menos preconceito. 

Bora assistir um trechinho?


Beijos.

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