terça-feira, 1 de maio de 2012

Deficiência Intelectual e Mercado de Trabalho

Karo leitor, hoje é Dia do Trabalho. Considero um data muito importante, não só pelo fato de ser folga, emendarmos um feriadão e ficarmos com as canelas finas pro ar (eita nós!), mas porque acredito que o trabalho nos dignifica de muitas maneiras. É no trabalho que temos a oportunidade de conhecer pessoas e respeitar o outro, reconhecer nossas aptidões e nos realizarmos como seres produtivos. Como sou apaixonada pelo meu trabalho na APAE com deficientes intelectuais, resolvi aproveitar essa comemoração e compartilhar um texto que escrevi a pedido da Carlena Weber para a Desenvolver-RS, que é uma empresa especializada em consultoria e empregabilidade de pessoas com deficiência no Rio Grande do Sul. Bora lá?

Inúmeros mitos e preconceitos rodam o universo da deficiência. Comumente, as pessoas tendem a generalizar uma característica para cada grupo de deficiência. Por exemplo: todo cego ouve muito bem, todo surdo comunica-se apenas por LIBRAS, todo cadeirante é assexuado e todo deficiente intelectual é incapaz de aprender. É bem provável que todas as certezas pré-concebidas (e nem sempre verdadeiras) sobre a pessoa com deficiência acentuem-se quando falamos do deficiente intelectual. Entretanto, é importante pensarmos que todas as pessoas possuem suas particularidades e habilidades em níveis diferentes, inclusive as pessoas com deficiência. Em relação ao deficiente intelectual – ao qual vou me deter nesse texto, vale esclarecer que o seu efetivo entendimento, seja no campo escolar, social e/ou profissional, depende significativamente da sua capacidade de compreensão e do modo como a informação é repassada. De modo geral, é necessário conversar utilizando vocabulário simples e repassar a instrução de maneira direta e objetiva.

Para que um deficiente intelectual entre no mercado de trabalho, faz-se fundamental haver um processo de análise do perfil do candidato e da vaga a ser preenchida. Assim como é procedido com todas as pessoas, procede-se também com a pessoa com deficiência. Se o funcionário com deficiência intelectual conseguirá trabalhar no computador, se poderá alimentar-se sozinho e quanto tempo levará para fazer as refeições, se usará o transporte público até o trabalho, se precisará ir mais vezes ao banheiro – dentre outras dúvidas – são especificidades a serem verificadas antes da contratação e de acordo com o que a empresa espera do funcionário em determinado cargo.

Eventualmente, o funcionário com deficiência intelectual executará suas tarefas em outro tempo e de outro modo, o que não significa que seja menos eficiente. Ter deficiência implica em ter uma defasagem em algum aspecto (fisiológico, em geral), mas não em todos. Empregar alguém com qualquer deficiência trata-se de um investimento de múltiplas facetas. Tanto é verdade que, na maioria dos casos, os empregadores desfilam elogios aos seus funcionários com deficiência, não só pela dedicação ao trabalho que costumam despender, mas também pela possibilidade de ganho social e de quebra de velhos paradigmas que provocam em toda a empresa. É imprescindível conferir-lhes o status de pessoa antecedendo a condição da deficiência. O segredo, então, reside numa palavra-chave: oportunidade.

Superbeijo... em especial à equipe da Desenvolver-RS: Carlena, Cris, Márcia e Simone Brum (da Fagundes).

* Para os cegos, a descrição: na foto da postagem há um rapaz com Síndrome de Down de terno e gravata em ambiente de trabalho.

4 comentários:

  1. Olá,
    Meu nome é Priscila tenho 19 anos e sou portadora de mielomeningocele, uma má formação que se da dentro do últero,logo,nasci assim. Devido a esse problema,sou cadeirante.
    Andei pesquisando na internet alguns blogs que falavam sobre alguns assuntos cadeirantes e acabei achando o seu, que alias, gostei bastante.
    Tenho algumas dúvidas :
    Gostaria de saber porque todos preferem ir para o Sarah Kubitchek de Brasília já que existe outras unidades?
    Moro em São Paulo e gostaria de saber se você conhece algum lugar parecido com esse que faz reabilitações por aqui.
    Ou no caso, você acha legal eu estar indo até o de Brasília?
    Você gastou muito para ir para lá?
    Porque eu queria criar a minha própria independencia nas atividades do dia - a - dia e eu acho que indo para um lugar como esse facilitaria bastante para que eu aprendesse.
    Desde já agradeço e espero retorno,
    Priscila .

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    1. Oi, Priscila!
      Obrigada pelo recado e desculpa a demora em te responder.
      Vamos lá! Olha, eu realmente não sei porque as pessoas preferem ir no Sarah de Brasília. Eu fui por recomendação há quase 20 anos e meus pais tinham amigos por lá que nos deram uma força. Também por fazer taaaanto tempo, não vou saber te dizer se gastamos muito ou não (a moeda ainda era o Cruzeiro!! rs).
      Em São Paulo tem muuuuuuuuuuuuuuita koisa. Vc já foi na AACD? Eu gosto muito do trabalho deles.
      Espero ter te respondido bem.
      Abraços.

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  2. Amei o Blog, tenho um irmao com deficiencias mentais que amoooooooooooooooooooo muito, e eu e ele ficamos felizes em conhecer o seu blog e um pouco do seu trabalho. Parabens
    Renata e Robinho>

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    1. Renata e Robinho, agradeço imensamente a visita e o recadinho. Voltem sempre.
      Beijo.

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