sexta-feira, 20 de abril de 2012

Identificações



Porque a vida é feita de verdadeiros encontros, karo leitor.
Olha lá eu e a pequena Manu na Folha de São Paulo:


Agradecimento especial ao amigo e jornalista Jairo Marques que está comigo na foto acima e que me permitiu contar essa história.

Beijo, beijo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Conviva!

O fato de ter deficiência sempre rendeu-me boas histórias, principalmente com crianças. Recentemente, nos reunimos para almoçar na casa da tia Alice. Encontrar-se para a comilança nos fins de semana e em datas comemorativas é um hábito da família Luiz e esse seria apenas mais um almoço, não fosse pela surpresa que recebi. Na porta da casa da tia Alice há um pequeno degrau de uns 2cm - que dou conta de subir tranquilamente. Ao chegar na varanda e me aproximar da porta, o Artur (que é filho de uma prima), me viu chegando. Sem que ninguém esperasse aquela reação, ele correu até a porta e, de frente pra mim, esticou as duas mãozinhas no intuito de me ajudar a entrar. Mesmo não precisando da ajuda, eu dei as mãos para ele e deixei que ele me ajudasse. Obviamente ficamos todos atônitos com tamanha percepção de uma pessoinha de apenas 2 anos. De lá pra cá, em todas as vezes em que ele percebe que estou perto de uma porta ou querendo levantar de um sofá, ele já diz: "Me dá a mão, Kaká!"

Além disso, o Artur já ensaia falar em LIBRAS com a tia Rosane, que é surda e madrinha dele. Tenho percebido que, assim como aconteceu comigo, os conceitos de inclusão e preconceito farão pouco sentido para o Artur. Estar com pessoas com deficiência e respeitar as diferenças será algo tão natural para ele, assim como foi para mim, para a tia Rosane, nossos familiares e amigos. Afinal de contas, o que é normal? É ser alto, baixo, loiro, moreno, magro, gordo, branco, preto, pardo, oriental ou ocidental? A tal ''normalidade" é muito relativa, e até desnecessária. Quando escrevi o post do Korpo com Ká, enfatizei justamente que não há perfeição para ansear - não para mim, ao menos. Somos todos singulares, potenciais e limitados em algum aspecto. Ou alguém aí tem a arrogânia de considerar-se perfeito? Se até um bebê de 2 anos entende um pensamento tão complexo desse, por que adultos ainda teimam em dar murro na ponta da faca chamada PRECONCEITO? A deficiência é  um risco quando entramos num carro, por exemplo, ou uma condição inerente à vida, que quase todas as pessoas experimentarão algum dia, caso cheguem na velhice. Portanto, não se dê o trabalho de ser preconceituoso(a). Esse sentimento nada mais é do que uma idéia pré-concebida (e até um medinho), quase sempre equivocada, sobre algo que não o(a) levará a nada engrandecedor.

Em todas as vezes em que uma criança fica me olhando no shopping e pergunta "Mãe, por que aquela moça anda daquele jeito?", eu sou o constrangimento de carne e osso para os pais das crianças e acho um barato de ver a cara sem graça deles. Aí eu faço a minha parte: sorrio... e rezo para a Nossa Senhora dos Moçoilas Deficientes que a mãe ou o pai da criança seja minimamente sensível para desmistificar sobre as diferenças entre todas as pessoas, porque, vamos combinar: essa é uma ótima oportunidade para cortar o mal do preconceito pela raíz. Né não? Nos últimos tempos, fala-se mais sobre tecnologias assistivas, sobre os direitos das pessoas com deficiência e essas, por sua vez, vem aparecendo mais nas ruas, no mercado de trabalho, na mídia, etc. No meu ponto de vista, ninguém teme aquilo que conhece de perto, então minha dica é: permita-se conviver com a diferença. Estou aqui usando o Artur como exemplo para falar que 3 ou 4 gerações da minha família - que passaram por diferentes momentos históricos dos movimentos relacionados à deficiência - cultam o mesmo conceito: aquele em que a diferença faz parte da diversidade e do mosaico humano. E lá tem koisa mais perfeita que isso, karo leitor?

Superbeijo!

* Para os cegos, a descrição: na foto da postagem está o Artur, um dos personagens centrais desse texto, com as bochechas e o nariz pintados imitando um coelho.