segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O tempo passa, o tempo voa...

Meu irmão de 11 anos chega em casa e me diz: 'Mana, tenho um segredo pra te contar: hoje eu beijei de língua a fulana.'. De repente senti meu rosto paralisado como uma estátua do Museu de Cera, mas espere aí... eu não estive em Amsterdã, então percebi que era o efeito daquela notícia que o pequeno fedelho acabara de me dar. Ai, Jesus... tratei de fazer uma cara mais relaxada, de irmã mmais velha, descolada e psicóloga. Isso mesmo, cara de 'Uhul-sou-moderna'. Aliás, é uma furada ser psicóloga nesses casos (com amigos, parentes ou seres que acabam de saber que você cursou a ciência da mente humana)... as pessoas acham que você tem a obrigação de encarar tudo com naturalidade e querem que você dê um diagnóstico convincente em 2 minutos de análise. Sei que aquele foi um bom sinal, afinal, ele me confiou um segredo. Eu não posso desmerecer isso, é fato. Mas caro leitor internauta, vou contar um segredo: eu não estou preparada pra ouvir uma koisa dessas. Como assim? Nessa hora eu só sei que sou irmã e que ele tem 11 anos. Me lembro bem que anteontem eu limpava o bumbum dele com lenço umedecido e passada Hiploglós para evitar assaduras; e foi ontem que ele começou a falar 'curiote' - palavra a qual até hoje não sabemos o significado (nem ele), mas que era bem engraçadinho; e também foi ontem que a única koisa em que ele encostava na boca era uma mamadeira. Como pode já estar beijando um ser chamado: guria?


Não é a primeira vez - e nem a última, tenho certeza - que meu irmão me deixa com cara de botox. Outro dia ele me surpreendeu com a seguinte afirmação: 'Kaká, o Little [nosso cachorro] é gay!'. O que se diz numa hora dessa, caro leitor internauta? Comecei a proferir um discurso muito bem elaborado de que, no mundo animal, não há essa questão de orientação sexual. Rá! De onde foi que tirei essa teoria? Também não sei. Quem vê pensa que assisto muito o canal Animal Planet ou que sou veterinária (deveria, dada a convivência com cavalos na ausência do príncipe, não é?). Mas também não haveria problemas em ter um cachorro gay, certo? A diversidade deve ser respeitada. Ah, sim. Isso tudo virou uma metáfora para eu defender os Direitos Humanos e de iguadade - mesmo que o papo fosse, a priori sobre cachorros. Nossa, fui interrompida por ele: 'Mana, pára de me enrolar. Eu vi o Little fazendo sexo com o cachorrO da vizinha!'.

Então tá. Os tempos são outros. Eu admito. Foi aí que lembrei que com 11 anos eu ainda brincava de Barbie! Na minha época, diversão era jogar Banco Imobiliário, não videogame; passatempo era cuidar de um Tamagoshi (esse bicho feio da foto) e não da vida dos outros pelo Orkut ou Facebook; refrigerante era Coca-cola em garrafa de vidro que você abria com abridor; e Merthiolate ardia pacas, sem contar que deixava uma mancha ridícula na pele... o machucado sarada e a pinta laranja tava lá... não sumia nem com reza braba. E também não tinha mp3, iPod ou koisa do tipo porque um cd custava, no máximo R$14,90.

Sou ainda daquela época em que, para manter uma amizade à distância, você tinha que mandar cartas. Lembro que por muito tempo foi assim que eu mantive a amizade com minha vizinha de férias de verão, Carolina Cemim, que até hoje mora na grande Porto Alegre. Sou da época em que se via Xou da Xuxa e as adolescentes eram embaladas pelos hits românticos e melosos dos Backstreet Boys... eles eram bem mais afinados e menos coloridos que as araras, digo, o Restart. Sou da época em que os sutiãs eram de algodão, koisa longe do bojo. Sou da época em que você tinha que se conformar com seu cabelo porque não existia a chapinha. Sou da época em que celular era Tijorola, um luxo. Sou da época do ICQ e do disquete e por aí vai... e olha que nem faz taaaaanto tempo assim. Hoje em dia as crianças nascem falando - sobre tudo. É muita informação sendo despejava a todo momento nos cérebros em pelo desenvolvimento. Veja bem: eles mal chegam da escola e já conversam por MSN com os colegas de classe que acabaram de ver ou fazem o mesmo com o irmão que está no quarto ao lado; a garrafa pet virou lixo descartável e objeto de decoração; você não precisa mais alugar um filme adulto para entender como os bebês são feitos, pois as mulheres do Big Brother ensinam ao vivo como fazê-los; o band-aid é colorido para você esquecer da ferida quando vê aquela estampa do Mickey Mouse sorrindo; e até shampoo ganhou tempero... o seu é com ou sem sal? Não há como evitar, mas há que saber como lidar. Eu tento, Deus sabe como tento... risos. Diz aí, caro leitor internauta, estou ou não estou ficando velha? É, estamos!


... e eu ainda caí na besteira de perguntar se, pelo menos, ele gostava da tal fulana.

'Não, eu só tava afim mesmo!'


Superbeijo.


* Beijo especial à Carol Cemim que ainda é minha amiga e que sempre acompanha o blog.

9 comentários:

  1. Hahahahaahahahahaha...
    Olha, eu sou dos anos 90.
    Nasci em 1990 mesmo, mas devo confessar que minha mente está mais voltada aos anos 80.

    Não consigo acreditar em tanto modernismos.
    Realmente vc não está ficando velha não, é o mundo que está evoluindo.
    Seja pra melhor ou pra pior, está.

    Sua sorte é que foi com 11 anos o primeiro beijo. Conheço garotas que aos 12 foi a primeira relação sexual.
    Sorria, você e ele ainda estão no lucro.

    Beijos, Ká. Saudade que eu tava daqui =]

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  2. Ola prima ..rsr pois é temos certas obrigacoes como irmas mais velhas..oh coisa dificil ter que ouvir certas revelacoes mas..como mulher modernas temos que levar uma boa..nao se esqueca que depois tem as revelacoes dos filhoss aiaiia bjoss

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  3. Kakáaaaaa,

    Que tempinho bom esse nosso,hein!Esquecestes de lembrar do amor ao RICKY MARTIN...lembra...hehehe
    Saudades das cartas e daquele tempo de pensar só em brincar.
    Mas esse teu mano é ligeiro...hihihi
    Tu moras no meu coração e faz parte das melhores lembranças da minha historia. Só posso agradecer por poder ser sua amiga.És mega especial.
    Beijos no coração!

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  4. Que legal essa reflexão Karla. A cada dia somos surpreendidos por nossos pequeninos com os mais diversos assuntos, ou feitos, rs, se fosse comigo não saberia ao certo o que responder, digo isso pensando em minha sobrinha de 7 anos apenas, ai ai. De fato grande parcela de "culpa" é da tecnologia à disposição, e que não tem idade pra entrar na vida de alguém, nos dias de hoje então?! Cada vez mais precoce a avalanche de informações que chegam até eles de todos os lados, e isso faz com que amadureçam bem mais depressa. Ainda assim, penso que nada substitui o bom e velho diálogo, o contato pessoal com alguém mais experiente, uma pena é reconhecer que até mesmo isso vem perdendo um valioso espaço para o mundo virtual. Ficam as saudades dos bons tempos.

    Beijos linda

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  5. 'você não precisa mais alugar um filme adulto para entender como os bebês são feitos, pois as mulheres do Big Brother ensinam ao vivo como fazê-los"

    Adoro essas brincadeirinhas que vc faz. Muito boas!

    Lorranny Berto

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  6. Aê Gabi, mandando ver heim garoto! E sem envolvimento, a fila anda né? É Ká, essa geração tá avançada mesmo. Não me assusto com a velocidade, mas com a falta de limite, que pode se tornar falta de noção, e se transformar num problemão! Mas depois que passar o susto da maninha tenho certeza que esse menino vai ser bem encaminhado. E vai arrasar corações! Beijão

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  7. Kaká, seu humor com as palavras me encanta. Fico pensando quando minha sobrinha que tem 3 anos começar a fazer perguntas e confissões embaraçosas também. Te confeço que não sei como vou lidar com a situação, acredito que só vivenciando, sentindo na pele mesmo. Além disso seu post também me fez voltar a minha infância, lembrar de um monte de "koisas" rsrsrs que a gente vive e não esqueçe nunca mais.

    Bjos da L@ine

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  8. Karla, que saudadesssssssss.

    Sim, os tempos mudaram. O que é uma pena para esta geração. Eu sou um pouco mais velha que você, sou da época dos Menudos e eu acreditava que o Rick Martin , na época só Rickinho era homem e eu era apaixonada por ele. Amava que methiolate ardia (era uma punição por ter me machucado...hehe), chorei quando fui treinar e minha mãe não cuidou do meu tamagoshi e ele morreu. Pogobol, pulava elástico, banco imobiliário e barbie... tive infância viu.

    Beijos e acho que o seu irmão vai dar trabalho.

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  9. aaaaaaaaai Kaka... (faz tempo q nao venho aqui, né?)

    mto divertido este post!! Realmente, a infancia de hoje é bem diferente da de uns 10 anos atrás. Não brinca-se mais de "mãe da rua", ou "elefantinho colorido": joga-se video-game e gasta-se tempo no twitter ou no formspring. As crianças não dançam as musicas da Xuxa/Angélica: dançam o rebolation e cantam "Vou não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não. Num vo não, posso naaaaaum..."

    Nem faz tanto tempo assim, mesmo (vc nao está ficando velha, pq ainda tenho 19 anos e lembro dessas épocas q vc citou)

    É o mundo q evolui muito rápido mesmo, o que não tem que evoluir.

    Beijo, amiga. Saudade!!

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