sábado, 26 de fevereiro de 2011

Nem lateral direito, nem fotógrafo...

Há um ano atrás, na minha primeira viagem sozinha e de avião para São Paulo, tive a satisfação de encontrar o Tino Marcos (repórter esportivo da Globo) no aeroporto de Floripa, conforme contei no post 'As (des)vantagens de ter um papai-gaio' - clique no link para relembrar a história. Na ocasião, a única foto que tirei com o Tino saiu tremida. Pois bem, ontem, num evento da Ipiranga, em Floripa, fui surpreendida com a presença do Tino novamente. Durante todo esse ano que se passou, culpei meu pai por ter falado de mais e ter prestado atenção de menos da máquina fotográfica e, em todas as vezes em que o vimos na TV, nos referimos ao Tino como 'nosso amigo'. Quando o diretor da Ipiranga o chamou ao palco, papai e eu nos olhamos: 'É o nosso amigo!'. , logo fiquei pensando que depois teria que tirar outra foto com ele, já que a do ano passado ficou tremida. E dessa vez havia mais o técnico da Seleção Brasileira de Futebol para fotografar e marcar presença aqui nos meus posts. Tive a certeza de que tudo renderia uma boa história (e rendeu). Depois da 'meio-palestra, meio-entrevista' do Mano com o Tino, fomos ao saguão encontrá-los. Tenho que confessar: ser 'malacabada' me concede alguns benefícios, como por exemplo, não pegar filas para tirar foto com famosos... risos. Fotografamos eu e meu pai com o Mano (muito humilde e gentil - bem diferente do Dunga). Meu pai quis fazer uma média e disse:
- Mano, eu sou lateral.
Rindo, ele respondeu: - Bom, acho que você tá um pouquinho acima do peso.

Hahahahaha... é a mais pura verdade e, apesar de meu pai jogar os 90 minutos de uma partida, é melhor ele considerar a dica, afinal, era conselho de Mano Menezes, não é mesmo? Falei para o papai que eu, sim, deveria para a Seleção, pois sou 'Kaká', né? Se bem que papai pode substituir o Fofômeno... risos. Brincadeiras a parte, ao me aproximar do Tino Marcos, falei para ele que há uma ano tiramos uma foto no aeroporto e havia ficado tremida, então era hora de tirar outra. Ele é uma simpatia, muito sorridente e gentil, maaaaas adivinhe caro leitor internauta: papai tremeu de novo a câmera, igualzinho da primeira vez! Sorte que eu entreguei o endereço do blog para o Tino (e ele disse que passaria aqui), então quero dizer a ele que espero ter outra oportunidade para mudarmos de fotógrafo... risos.

Observação: o local do eventro, Centro de Eventos Centrosul, dispunha de toda acessibilidade: piso tátil, rampas, elevador, banheiros adaptados e auditórios planos.

Beijo grande.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Seja um pouco de criança!

Caro leitor internauta, tenho tanta koisa para fazer e tantos posts em andamento que nem sei bem por onde começar. Então resolvi parar tudo para lhe contar uma historinha que me aconteceu ontem.

Estávamos eu e Andréia no meu consultório depois do expediente acertando os detalhes de um evento sobre acessibilidade que faremos aqui em Garopaba agora em março. A Andréia também é psicóloga, uma pessoa in-crí-vel e uma profissional extremamente competente. Enquanto conversávamos no corredor da clínica rumo à saída, o filhinho dela, o Pedro de 4 anos (esse da foto) nos interrompe:
- Tia, por que você tá andando assim? Tu tá fingindo?

Hahahahahahaha... caímos na gargalhada, claro. Eu não fingiria tããão bem assim. Ou, numas hora dessas já deveria estar a caminho do tapete vermelho do Oscar concorrendo ao Prêmio de Melhor Atriz, não é mesmo? Falei para ele, então, que eu não estava fingindo, que eu ando desse jeito mesmo. E perguntei:
- ... gostastes? - Logo esperei um estranhamento, uma testa franzida, uma careta, um 'não'.
- Gostei, tia, gostei... porque é diferente!

Ah, meu Deus! Como meu dia, tão cansativo e cheio de trabalho, poderia acabar mais perfeito? Deu vontade de morder aquelas bochechas branquelas. Fui pra casa rindo do jeitinho dele. As crianças são fantásticas pelo atrevimento e pureza que nós, adultos, muitas vezes perdemos. Fiquei pensando por que crescemos e criamos tantos preconceitos? Seja criança e descomplique! Até o já Pedro sabe que ser diferente é absolutamente normal!

Beijo, beijo, beijo.

* Outra pérola do Pedrinho: 'O mundo é uma bola gigante que rebola ao redor do Sol.'
** Foto gentilmente cedida do arquivo pessoal da Andréia.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O tempo passa, o tempo voa...

Meu irmão de 11 anos chega em casa e me diz: 'Mana, tenho um segredo pra te contar: hoje eu beijei de língua a fulana.'. De repente senti meu rosto paralisado como uma estátua do Museu de Cera, mas espere aí... eu não estive em Amsterdã, então percebi que era o efeito daquela notícia que o pequeno fedelho acabara de me dar. Ai, Jesus... tratei de fazer uma cara mais relaxada, de irmã mmais velha, descolada e psicóloga. Isso mesmo, cara de 'Uhul-sou-moderna'. Aliás, é uma furada ser psicóloga nesses casos (com amigos, parentes ou seres que acabam de saber que você cursou a ciência da mente humana)... as pessoas acham que você tem a obrigação de encarar tudo com naturalidade e querem que você dê um diagnóstico convincente em 2 minutos de análise. Sei que aquele foi um bom sinal, afinal, ele me confiou um segredo. Eu não posso desmerecer isso, é fato. Mas caro leitor internauta, vou contar um segredo: eu não estou preparada pra ouvir uma koisa dessas. Como assim? Nessa hora eu só sei que sou irmã e que ele tem 11 anos. Me lembro bem que anteontem eu limpava o bumbum dele com lenço umedecido e passada Hiploglós para evitar assaduras; e foi ontem que ele começou a falar 'curiote' - palavra a qual até hoje não sabemos o significado (nem ele), mas que era bem engraçadinho; e também foi ontem que a única koisa em que ele encostava na boca era uma mamadeira. Como pode já estar beijando um ser chamado: guria?


Não é a primeira vez - e nem a última, tenho certeza - que meu irmão me deixa com cara de botox. Outro dia ele me surpreendeu com a seguinte afirmação: 'Kaká, o Little [nosso cachorro] é gay!'. O que se diz numa hora dessa, caro leitor internauta? Comecei a proferir um discurso muito bem elaborado de que, no mundo animal, não há essa questão de orientação sexual. Rá! De onde foi que tirei essa teoria? Também não sei. Quem vê pensa que assisto muito o canal Animal Planet ou que sou veterinária (deveria, dada a convivência com cavalos na ausência do príncipe, não é?). Mas também não haveria problemas em ter um cachorro gay, certo? A diversidade deve ser respeitada. Ah, sim. Isso tudo virou uma metáfora para eu defender os Direitos Humanos e de iguadade - mesmo que o papo fosse, a priori sobre cachorros. Nossa, fui interrompida por ele: 'Mana, pára de me enrolar. Eu vi o Little fazendo sexo com o cachorrO da vizinha!'.

Então tá. Os tempos são outros. Eu admito. Foi aí que lembrei que com 11 anos eu ainda brincava de Barbie! Na minha época, diversão era jogar Banco Imobiliário, não videogame; passatempo era cuidar de um Tamagoshi (esse bicho feio da foto) e não da vida dos outros pelo Orkut ou Facebook; refrigerante era Coca-cola em garrafa de vidro que você abria com abridor; e Merthiolate ardia pacas, sem contar que deixava uma mancha ridícula na pele... o machucado sarada e a pinta laranja tava lá... não sumia nem com reza braba. E também não tinha mp3, iPod ou koisa do tipo porque um cd custava, no máximo R$14,90.

Sou ainda daquela época em que, para manter uma amizade à distância, você tinha que mandar cartas. Lembro que por muito tempo foi assim que eu mantive a amizade com minha vizinha de férias de verão, Carolina Cemim, que até hoje mora na grande Porto Alegre. Sou da época em que se via Xou da Xuxa e as adolescentes eram embaladas pelos hits românticos e melosos dos Backstreet Boys... eles eram bem mais afinados e menos coloridos que as araras, digo, o Restart. Sou da época em que os sutiãs eram de algodão, koisa longe do bojo. Sou da época em que você tinha que se conformar com seu cabelo porque não existia a chapinha. Sou da época em que celular era Tijorola, um luxo. Sou da época do ICQ e do disquete e por aí vai... e olha que nem faz taaaaanto tempo assim. Hoje em dia as crianças nascem falando - sobre tudo. É muita informação sendo despejava a todo momento nos cérebros em pelo desenvolvimento. Veja bem: eles mal chegam da escola e já conversam por MSN com os colegas de classe que acabaram de ver ou fazem o mesmo com o irmão que está no quarto ao lado; a garrafa pet virou lixo descartável e objeto de decoração; você não precisa mais alugar um filme adulto para entender como os bebês são feitos, pois as mulheres do Big Brother ensinam ao vivo como fazê-los; o band-aid é colorido para você esquecer da ferida quando vê aquela estampa do Mickey Mouse sorrindo; e até shampoo ganhou tempero... o seu é com ou sem sal? Não há como evitar, mas há que saber como lidar. Eu tento, Deus sabe como tento... risos. Diz aí, caro leitor internauta, estou ou não estou ficando velha? É, estamos!


... e eu ainda caí na besteira de perguntar se, pelo menos, ele gostava da tal fulana.

'Não, eu só tava afim mesmo!'


Superbeijo.


* Beijo especial à Carol Cemim que ainda é minha amiga e que sempre acompanha o blog.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Casa adaptada

Buenas noches, caro leitor internauta!

Como vai seu início de semana? O meu está um 'ó-do-borogodó', porque hoje minha internet está cansando a beleza que eu não tenho. Está aí uma das poucas koisas que me irritam de verdade: quando umas dessas tecnologias não funciona... tipo, controle remoto, internet... enfim, essas koisas que surgiram para facilitar a vida e não para levar a um colapso nervoso quando deixam de funcionar. Mas força na peruca, já que cabelo é o que não me falta.



Hoje vim contar para você como é a casa de um amigo meu que é cadeirante. Eu já falei dele aqui para você, mas vamos recapitular: o Vanderlei casou em novembro com minha amisíssimade infância, a Andresa, a qual eu fui madrinha de casamento. Bom, o Vanderlei ficou paraplégico há 15 anos num acidente de moto, mas é mais um exemplo desses tantos que vemos por aí. Ele tem uma vida normal, se vira bem sozinho, dirige e trabalha. Não posso deixar de comentar que a igreja onde eles casaram e o salão onde fizeram a festa possuíam rampas, o que facilitou a vida do noivo e a minha. Quando ele e a Andresa resolveram construir a casa, claro, tiveram que pensar nas adequações necessárias para que ele tivesse boa mobilidade, praticidade e conforto na própria casa.


No último sábado, toda a galera que se organizou para dar o sofá de presente aos noivos foi convidada para apreciar os dotes culinários da recém casada e, claro, inaugurar o tal sofá (como você pode ver na foto). Como é de praxe, eu sempre estou acompanhada da máquina fotográfica e fiquei atenta à acessibilidade. A casa deles foi projetada para ter bastante espaço, possibilitando a circulação do Vanderlei por todos os cômodos. Nas entradas não há degraus e as portas possuem a medida mínima ideal de largura (0,80cm) para ser considerada acessível.



Aí eu fotografei o banheiro da suíte do casal e achei uma idéia muito interessante a de colocar o vaso sanitário dentro do box. Eu nunca tinha visto um banheiro assim. Repare que ele usa uma cadeira comum (e não a de banho específica), e também não há barras de inox. Isso retrata a forma com que ele se adaptou para executar esse tipo de tarefa. A garagem eu não fotografei, mas ele fez medindo o carro com as quatro portas abertas, assim, ele pode sair de qualquer porta sem aperto. Na cozinha, há uma parte do balcão que eles mandaram fazer sem prateleiras na parte inferior e com portas de correr para que ele pudesse encaixar a cadeira e fazer um lanche, por exemplo, sem precisar usar a mesa grande (veja a foto). O mesmo deveria ser feito na parte da pia para que ele também ajudasse a lavar a louça, mas dessa ele se escapou... risos.


Bom, quanto ao rango tenho que dizer que minha amiga deu um show. Andresa arrasou nas lasanhas e aproveitou para usar todos os presentes de casamento: faqueiro, jogo de panelas, refratários, copos, kits de sobremesa, etc... risos. Assim como também é um show ver um casal tão unido, cheio de amor e alegria. O Vanderlei é um cara muito pró-ativo, resiliente e perseverante, que eu admiro muito. E a Andresa é uma mulher de garra... quem vê nem acredita que a gente inúmeras vezes fez xixi nas calças de tanto rir quando era adolescente. Ops, não era para contar, né amiga? Escapuliu... risos. E o sofá? Ah, o sofá é ótimo, muito confortável e me aturará muitas vezes (sem xixi nas calças porque eu já estou bem velhinha para isso, eu juro!).

Ótima semana, queridos!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Há anos peço o príncipe...

... e só me mandam o cavalo." (Tati Bernardi)

Noutro dia, no chat do Facebook falando sobre o descontentamento com relacionamentos amorosos, Erica me diz:
- Ai, Karla... onde estão os nossos príncipes?
Respondi:
- Os príncipes eu não sei, mas cavalo solto por aí tem de monte.

Aqui no sul tem um ditado, nada profundo, que diz:  'Ah, vai roubar cavalo, vai!', é a frase que substitui o manjado 'Vai catar coquinho'. Dizemos isso porque, para quem mora na cidade, ter um cavalo não serve para nada. Aliás, só atrapalha sua vida, a não ser que você pratique hipismo ou equoterapia. A (triste) verdade é que, antes de encontrar o príncipe, você vai galopar na companhia de alguns cavalos. Talvez dê para montar um haras... risos. Vamos pensar juntos: há cavalos para todos os gostos. Há os brancos, beges, marrons, pretos e até malhados. Há os que dão patadas, relincham e dão pinote por qualquer koisa. Há os que você tem que alisar e escovar para conseguir algo. Há também os que dão muito trabalho para você montar e, quando finalmente você consegue, eles empinam e te derrubam no chão sem dó. Há os 'manga-larga', marchadores, imponentes, de classe - esse quase nasceu príncipe -, mas é raro, custa caro e dá uma canseira danada para domar. E há o pior tipo: aquele que quer dar fim à espécie e se envolve com uma vaca!

Nessa fração de segundo em que pensei tudo isso, a Erica me falou:
- O problema é a nossa profissão, amiga. É o maior índice de divórcio por categoria profissional. Você sabia?

Como assim? Espere aí, está certo que Freud disse que a culpa é sempre da mãe, mas nunca me utilizei dessa teoria em relacionamentos. Aliás, amigas, jamais queiram concorrer com a sogra. Goste dela. Tente - esforce-se -, pelo menos, se ela for muito difícil. Discordar e arrumar encrenca com a sogra é um erro fatal, na maioria das vezes. Não esqueça disso: gostar da mamãe dele é meio caminho andado - ou meio circuito percorrido. Mas, então, quer dizer que estamos fadadas aos cavalos por termos escolhido a Psicologia como ofício? E eu que pensei que fosse vantajoso namorar uma psicóloga... somos (teoricamente) tranquilas, corretas, éticas, sensatas, coerentes, pensantes, sensíveis, equilibradas, assertivas, etc., e, 'de quebra', ainda podemos dar um atestado. Há também quem pense que somos todas loucas, ruivas e que todas usamos óculos de grau. Mas tudo, tudo bem!
Então, só me restou responder:
- Não, eu não sabia, Erica. Por que ninguém me avisou isso antes, amiga? Eu teria feito Veterinária!

... e pensar que até pouco tempo atrás tudo se resolvia com um beijo no sapo, não é mesmo?

Eu e Erica temos o cabelo curto, não dá para fazer trança, mas somos princesas e temos Orkut, Twitter, Facebook, MSN, blog, e-mail e celular.

Se você for um príncipe, contate-me... cavalos não são acessíveis!

Beijos no core.