domingo, 30 de janeiro de 2011

Bandeira Azul e Praia Para Todos - Guarujá/SP

Caro leitor internauta, que saudades!


Finalmente o ano começa para mim. Depois das férias, eis a retomada ao blog e aos projetos com entusiasmo total. Para começarmos bem a nova empreitada, devo relatar que meus dias de folga no Guarujá/SP não renderam apenas um bronzeado. Dos serviços da Gol em Floripa e Sampa, não tenho do que me queixar. No aeroporto daqui, na espera do voô, conversei com um casal carioca muito 'manero', seu Jorge e dona Estela. Na vinda, sentei ao lado da Fernanda Ayumi, também psicóloga que estava vindo para Floripa a trabalho, pessoa bacanérrima com a qual começa uma nova amizade. Dentre as koisas que mais aprecio em ir viajar é o tropeço que dou com pessoas incríveis. Um aeroporto e um avião sempre me apresentam figuras e histórias inesquecíveis. Eu fico sempre observando cada viajante, cada bagagem, cada chegada e despedida... certamente cada um com um roteiro e uma missão interessantíssimos. De repente, no ar, somos 150 estranhos unidos pelo acaso ou pelo destino, como você preferir. Lá no alto, a sensação é de liberdade extrema, só o horizonte e as nuvens, conforme minha foto de Floripa acima. Bom demais!

Mas vamos ao que interessa, caro leitor internauta. Durante meus 8 dias no Guarujá, fiquei hospedada na casa da minha amiga Renata (presente em outros inúmeros posts desse humilde blog). Ela mora no Tombo - praia a qual possui a Bandeira Azul, conforme a foto. Vou explicar: a praia do Tombo, em Guarujá, foi aprovada pelo júri internacional para rece­ber o selo Bandeira Azul. A Prefeitura de Guarujá foi informada oficialmente sobre a conquista pela Foundation for Environ­mental Education – FEE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação Ambien­tal), que concede a certificação. A FEE é credenciada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para avaliar a balneabilidade de praias e marinas ao redor do mundo. O Tombo recebeu a aprovação do júri nacional em julho de 2010. O organismo exigiu do município algumas adequações, como a inserção ao Projeto Orla (Gover­no Federal) e a construção de rampas de acessibilidade equipadas com esteiras para acesso ao mar, o que foi prontamen­te atendido. No início de dezembro de 2010 foi divulgado o resultado final da certificação e a Bandeira Azul já tremula no céu do Tombo. (Fonte: www.guarujaweb.com.br)

Reza a lenda que, para obter tal certificado, a prefeitura também teria que construir banheiros e bebedouros adequados pela orla, mas eu não os vi. Não estou dizendo que essas obras não existem, que não estão lá. Na verdade, nem as procurei, não sabia dessas exigências quando fui à praia, e não me recordo de tê-las visto (as rampas, com certeza foram feitas, como mostra a foto). Os dias de sol me fizeram prestar mais atenção na beleza azul do mar, para ser mais sincera. Além do Tombo, apenas a Praia de Jurerê, em Floripa/SC, possui essa bandeira em todo o território nacional. Me proponho a ir lá qualquer dia desses para conferir a acessibilidade e postar aqui.

Porém, ainda falando no Guarujá, descobri que na Praia de Pitangueiras (a do centro) há o projeto Praia Para Todos. Se você viu a novela Viver a Vida, deve se lembrar das cenas em que a Luciana (personagem da Alinne Moraes) foi à praia e entrou no mar com uma cadeira específica para tal atividade. O projeto original é do Rio de Janeiro, onde gravaram a novela, e é o mesmo grupo que deu assessoria para o pessoal do Guarujá. O Praia Para Todos está montado numa tenda ao lado do Shopping La Plage, no calçadão da praia. Umas duas horas antes de ir para o aeroporto, resolvi passar lá para fotografar e postar aqui. Renata foi comigo, entrou no shopping enquanto eu fui conferir o projeto. Me deparei com o seu Daniel, advogado e andante, presidente da Comissão de Acessibilidade do Guarujá, que me explicou como funcionam as koisas por lá. O projeto é mantido pela prefeitura, possui uma estrutura organizacional com advogados, assistente social, etc, e as cadeiras foram cedidas pelo governo do estado de São Paulo.

Seu Daniel não se contentou em me ver apenas fotografando as cadeiras - disse que, assim como ele, mesmo que eu não necessite da cadeira para ir ao mar, eu tinha que sentar e experimentar tal sensação. Era uma questão de dar o exemplo, entende? Descemos a rampa de concreto do calçadão até a areia. Eu sentada e ele empurrando a cadeira enquanto conversávamos. Na areia há outra tenda montada onde é preenchida uma ficha de cadastro com informações simples e sobre a deficiência, além do Termo de Responsabilidade. Da rampa até o mar há uma esteira emborrachada que facilita quem está guiando a cadeira. A cadeira é da marca Jaguaribe, é muito segura (possui cinto de segurança e apoios), não enterra as rodas na areia molhada e bóia quando entra na água. O 'brinquedinho' custa, em média, R$ 3.500,00 - um verdadeiro artigo de luxo. Digamos que, apesar de proporcionar acessibilidade, o preço não é muito acessível e, por isso, é tão importante que os governos de todas as esferas se mobilizem para oferecer esse serviço nas praias do Brasil. Trazer o projeto para Garopaba é um sonho que pretendo tornar realidade, como presidente da Comissão daqui. Não é prepotência minha. É uma longa batalha, mas possível. Além de pleitear junto aos órgãos competentes esse direito à cidadania e ao lazer, vou contar com a ajuda, sobretudo, do meu santo preferido: São Jorge - aquele que, assim como eu, enfrenta os dragões da vida... risos.

Não estranhe! Eu sei que blusa e calça jeans não era a roupa mais indicada para estar na praia naquele domingo ensolarado, claro, mas como eu já estava pronta para ir ao aeroporto, não poderia estar de biquini naquela hora, então, pedi ao seu Daniel que, por gentileza, não me enfiasse na água... risos. Na beira do mar pude ver um moço entrando no mar com a cadeira. Seu Daniel me contou que era a primeira vez que o cara via e entrava no mar. Me comovi, me emocionei e enchi os olhos de água salgada que não era do mar. Observei por um tempo o entusiasmo e a alegria no rosto dele. Era contagiante. Eu que sou do litoral, que vejo o mar todos os dias, percebi que algo simples pode dar ou devolver um sentido a alguém. É tão sutil e tão significante. Quando você tem qualquer recurso - seja ele qual for - no seu cotidiano, você se acostuma e esquece de celebrar a beleza das koisas. Tenho a impressão de que nunca mais admirarei o mar do mesmo jeito. Devo isso ao moço que sequer saberei o nome.

Quero deixar um beijo enorme aos novos amigos conquistados nessa viagem: Tony e Denise Paiva, Evandro Simão, Fernanda Ayumi, Igor Andrade, seu Daniel, seu Branca, seu Alfredo, seu Jorge e dona Estela. Além dos velhos amigos que sempre me recebem com tanto carinho. Obrigada por tudo!

Boa semana, caro leitor internauta!

4 comentários:

  1. Oi Ká! Adorei o seu post!
    Precisamos marcar um cafézinho na próxima vez que você vier para SP.
    Além de ser essa pessoa fantástica, cheia de vida, inteligente e divertida, você presta (através do seu blog) um serviço de extrema importância. Através do seu olhar, centenas de outras pessoas aprendem e se emocionam com os acontecimentos que a cercam. Quando você comentou sobre o rapaz que estava "experimentando o mar" pela 1ª vez, eu me emocionei. Imagino como deve ter sido para você. Por diversas vezes a gente reclama de "koisas" tão bestas e acaba não prestando atenção à tudo aquilo de bonito que está ao nosso redor.
    Vou divulgar o seu blog para os meus amigos e conhecidos, pois cada palavra sua, toca a nossa alma de maneira enriquecedora.
    Espero que você continue sempre com este trabalho e que, através de você, muitas outras pessoas sejam beneficiadas.
    Conte sempre comigo.

    Um grande beijo,

    Fê Ayumi

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  2. Que bela foto pra começar o post, Karla *-*
    Linda mesmo. Quer dizer então que das mesmas bandeiras que tremulam no céu de Tombo, Guarujá-SP, são as mesmas que marcam presença em praias internacionais, por se tratar de uma lei internacional, correto??? Fico muito feliz em saber que a cada dia, vários lugares, várias pessoas, se estendendo a países, estão tomando consciência e adequando espaços públicos e para entretenimento à todos. Isso é muito legal. Sabe que lendo o trecho que descreve o momento em que viu o rapaz entrando na água pela primeira vez, de certa forma é impossível não se comover, é ao mesmo tempo uma conquista, não?! É um belo projeto essa cadeira, não conhecia até então, tá muito gata alí, toda feliz desfilando com ela, rs. Parabéns por tudo, você é muito guerreira.

    Beijão.

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  3. Oi Kaká, fiquei muito feliz com o seu coments e por estar me seguindo. Unidos podemos fazer a diferença. Seu post é maravilhoso, histórias de vida é sempre bom e ainda mais quando se trata de viagens. Essa sua algria e emoção com que descreve as koisas rsrsrs - é fantástica. Bjos da L@ine.

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  4. Oi Ká, muito legal saber que existe essa "bandeira", mas infelizmente em poucas praias. Meus pais moram em Guarapari/ES e quando vou lá só admiro o mar, por lá não tem nada deste tipo, uma pena. Parabéns pelo post, importante divulgar isso. Ah, e que saudade de Floripa me deu... nunca esquecerei da primeira vez que cheguei na ilha de avião, o visual é mesmo incrível. Me apaixonei!! Beijão

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