segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ser diferente é MEGA normal!

Caro leitor internauta, pense rápido: qual é o contrário de eficiente? Pensou? 'Ineficiente' é a resposta. Acertou? Talvez você tenha pensado em 'deficiente', mas deficiência nada tem a ver com 'não ser eficiente'. Todos as pessoas, sem exceção, possuem algum tipo de deficiência. Umas aparentes, outras não (as piores, muitas vezes). A minha deficiência, por exemplo, é física e visível. E não para por aí, tenho muitas outras: sou teimosa pra caramba, moralista, exigente, etc... sem contar que tenho um bloqueio mental absurdo para a matemática (incidência comum em psicólogos). Bom, as koisas vêm melhorando, é verdade... de repente ser 'matrixiano' virou moda e foi parar no horário nobre, mas ainda há quem não esteja preparado para respeitar as deficiências dos outros - vai ver é porque nunca reflete sobre suas próprias limitações. O fato é que os 'matrixianos' estão por todo canto e a sociedade não pode mais fingir que não (n)os vê. Eu sei que na teoria é tudo lindo e até utópico, mas cheguei à incontestável conclusão de que não podemos falar de inclusão, sem falar em acessibilidade. Aliás, a inclusão é um tema muito complexo e que me causa coceiras. Me proponho a fazer um post só sobre isso num outro momento. Agora vamos olhar a acessibilidade além de uma rampa, caro leitor internauta. A acessibilidade é mais que estrutura física, é ter/dar acesso ao trabalho, ao estudo, à cultura e ao lazer, à cidadania... acessibilidade de estar junto aos outros e de ser digno. É ter/dar autonomia e independência e a chance de conviver com a diversidade. Sem contar que o direito de ir e vir é garantido na Constituição a todos os cidadãos, sem exceção.

O blog jamais teve (ou terá) o objetivo de ser um Muro das Lamentações, deixemos isso para a Terra Santa, já falei isso por aqui. Acredito que os outros nos veêm, dependendo da postura que temos. Se eu me respeito, me respeitarão. Se me faço de vítima, sempre serei uma coitada. Então sempre tive a convicção de que é preciso ser agente sem ser pedante. É preciso tomar muito cuidado para exigir um direito sem causar o efeito reverso, ou seja, sem deixar que nos tornemos grupos excludentes e excluídos. Trago esse assunto para a pauta porque chegou o momento de agir. Mês passado aconteceu aqui em Garopaba o I Fórum de Acessibilidade com o intuito de divulgar a missão que a cidade recebeu: ser referência estadual em turismo adaptado. É mole? O pessoal das Secretarias Municipais de Educação e de Turismo me procurou para eu ajudar na organização do evento e para participar da mesa redonda (que, na verdade, era retangular, mas tudo bem). Como sou super metida, topei na hora. Foi bem estranho falar de mim na frente de tantas pessoas naquele dia. Todos com olhares atentos voltados para a 'picurruxa' aqui. Estou acostumada que me olhem, sim - não por ser a sósia da Bündchen, claro, mas porque as pessoas têm curiosidade com o diferente. E outra: não tenho problema para falar em público, mas ali eu não estava defendendo minha monografia, eu estava falando de mim e numa posição de 'matrixiana', koisa que, confesso, muitas vezes, esqueço que sou. Falando nisso, eu não me incomodo com o olhar curioso dos outros e, principalmente das crianças. Eu me incomodando ou não, vão olhar de qualquer jeito, então relaxo e aproveito a vida. E, se olham indiscretamente, para 'quebrar o gelo', eu devolvo a curiosidade com um sorriso. Sempre funciona! Um sorriso pode mudar tudo, não é mesmo caro leitor internauta?

Bom, estar no I Fórum foi bacanérrimo porque, além de 'chacoalhar' as pessoas, eu pude mostrar o blog, comentar dos contratempos e alegrias de viajar sozinha, e falar das dicas de acessibilidade que já postei por aqui. Foi demonstrado, também, pelo Marcus (secretário de turismo), o projeto da cidade de Socorro/SP que é referência nacional e internacional em turismo acessível. Receberemos suporte da mesma organização que assessorou a mudança de lá. Ao final das discussões, dei entrevista à Rádio Frequência News e conheci o Arenilton, grande radialista e parceiro nessa idéia. Recebi o convite de participar de seu programa da rádio no fim de semana seguinte e foi muito bom. Muitas pessoas comentaram, mandaram emails, etc. Inclusive deixo aqui um beijo para o pessoal de todo o país que nos ouviu pela internet e, em especial, para a Paraíba (terra do Arenilton). Aos demais, faço questão de responder a todas as mensagens em breve.

Depois disso tudo, eu e a comitiva das Secretarias Municipais de Educação e de Turismo fomos a Criciúma, em outro fórum sobre o tema. Tive que tirar as fotos de lá com o meu celular, pois o Marcus (que é secretário de Turismo e também fotógrafo) esqueceu a câmera dele, isso porque liguei para lembrá-lo. Segundo ele, só lembrou da máquina quando foi me buscar e me viu. Só me faltava essa: ter cara de Nikon D80, né? Adivinhe só, caro leitor internauta: cheguei na porta da universidade (Unesc) e havia dois degraus (fotografei com o celular, mas não consegui descarregar as fotos). Ah, não, isso não foi nada. O pior estava por vir: tinha uma escada para entrar no auditório. Sim, sim, acredite. Eu falei para o Marcus: 'Isso é uma pegadinha, né?'. Achei que a qualquer momento apareceria o Silvio Santos dizendo: 'Oe, hihi... sorria. Você está no SBT!'. Nãããão! Eu não estava na tv e aquela piada não tinha graça. Como vamos a um evento, numa faculdade, falar em acessibilidade se o próprio local não dispõe da estrutura e da mudança a qual se discute? O organizador do evento, sr. Ismail (é Ismail mesmo, não errei o nome dele) queria cavar um buraco e se enterrar quando me viu ganhando um colinho para entrar no recinto. Me pediu desculpas e eu, cara-de-pau que sou, respondi rindo: 'Sua sorte que não sou palestrante. Senão, como eu subiria no palco?'... risos. Como sou da filosofia de que 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena', achei que o fórum de lá foi bem produtivo. Mas ainda volto lá para cobrar umas rampas!

Por aqui, na última reunião sobre acessibilidade, dia 10, na câmara dos vereadores, ficou eleita uma comissão responsável por coordenar e apoiar projetos para que Garopaba alcance a meta de ser referência estadual no turismo acessível. É válido lembrar que, quando falamos em turismo acessível, estamos dizendo que antes de tornar a cidade viável para os visitantes, tornaremos Garopaba acessível para os 'matrixianos' e idosos daqui. Essa frente de trabalho é independente do governo municipal, com autonomia, o qual objetiva elaborar, participar e fiscalizar ações junto aos órgãos competentes. Eu fiquei como presidente por aclamação e me sinto honrada em poder estar junto nessa nova (e árdua) empreitada. Pensei em criar um blog específico para manter você, caro leitor internauta, atualizado sobre esse trabalho, mas sei que não terei tempo de cuidar de dois links, então, sempre postarei as novidades sobre esse tema por aqui mesmo. Em breve terei novas notícias. Aguardem!

Próximo post: A sexualidade dos 'matrixianos'.

Agradecimentos especiais:
* Sec. Mun. de Turismo: Marcus, Graci e Thales.
* Sec. Mun. de Educação: Rose e Nadir.
* Sec. Mun. de Obras: João Manoel.
* Rádio Frequência News: Arenilton e Sérgio Saraiva.
* Vereadores Rogério, Targino e Luiz.
* Professor Rui, Graciele e João Pacheco.

Beijos e bom feriado.

9 comentários:

  1. Oi Karla Sumida da Silva rs! drrrrr heim rs

    Que legal isso, na minha cidade, Goiânia, muito tem se falado sobre acessibilidade também, mas vejo muita falta disso em todos os lugares que vou. Transporte coletivo é sempre um grande problema pra quem é cadeirante e de verdade, sempre que posso, pergunto se posso ajudar, muitas vezes não é necessário o próprio motorista se encarrega de quase tudo, isso é legal e não diria que é uma obrigação dele, é cidadania, um cara consciente. Mas nem todos são preparados ou não recebem um treinamento adequado na empresa para manuzearem o elevador na porta do ônibus para facilitar a entrada e saída em fim, então do que adianta disponibilizar de tal tecnologia. Outros problemas são as calçadas, atravessar as ruas, Goiânia tem o maior número de veículos por habitante então não dá pra disputar espaço, e poucas são as pessoas que tem uma certa consciência e respeitar o espaço de cada um. É bem complicado mesmo. Karla, acho super abordar esse conteúdo, e deve sim ser discutido e o mais importante, tirar do que fora conversado e colocar em prática, transformar palavras em ações.

    Beijão pra ti

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  2. Kaká...

    Estudei com a Mara Gabrilli, conhece ? Ela, assim como você, luta pela acessibilidade e pela evolução de cada um de nós !

    Ser diferente é normal, é lindo, é o que nos torna atraentes, incríveis e únicos !

    se eu puder ajudar, conte comigo, estou com você !

    beijo carinhoso

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  3. Prima como vai? fico feliz em ver que Garopaba pensa e se preocupa com isso enquanto em grandes cidades que sao ditas mordenas nem pensam nisso.. O turismo é uma aldeia global mesmo sempre cabe opcao e quem chega na frente, leva..bem prima se precisar de mim pode contar comigo sempre bjooss e parabens mais uma vez

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  4. Olá Karla.
    Encontrei seu blog através do Google! Fico feliz que você esteja presidindo a Comissão de Acessibilidade do município de Garopaba e eu me coloco a sua disposição para trocarmos ideia e auxiliar-mos no que for possível.
    Sou coordenador do curso de turismo da ASSESC (Floripa), suplente da coordenação do Grupo Gestor do Turismo de Florianópolis, membro da Instância de Governança da Grande Florianópolis e vice-presidente da Associação Brasileira de Turismo Acessível (em fase de escrituração no cartório de Floripa). Fui responsável pelo I Seminário Catarinense de Turismo Acessível - www.turismoacessivelsc.com.br - e estou elaborando alguns projetos de acessibilidade para serem viabilizados em 2011 com recursos do SEITEC.
    Sucesso! Cappelini

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  5. Karlinha! Muita sorte e, principalmente, muito frutos com essa nova empreitada. Você sempre registra tudo de uma forma tão gostosa de ler, que eu me pego sempre por aqui, em busca de atualizações! Beijos e saudades, Gi (AMA-SP)

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  6. Karla, que tudo!! Fiquei muito feliz por você e pela sua cidade. É tão bom ver o Brasil melhorando, mas melhorando (mesmo que for aos poucos)de verdade.

    beijos

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  7. Po Karlinha não te acho cara-de-pau, só sabes, e bem, reclamar das coisas que achamos erradas. Nada mais certo que isso. E outra coisa, tu gosta de escrever ein? Ja pensou em começar um livro? Abraços

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  8. Ka, adoro seu, por isso estou passando para te dizer que tem dois selinhos de qualidade para o seu blog, Passe no meu blog para pegar!
    Bjss,
    Carol

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  9. hahahahaha adorei o "como sou metida"...

    aprendeu comigo né rsrs

    Beijos, amiga. Q possamos tornar muitas cidades (nao só Garopaba), referencias estaduais no turismo acessível.

    BEIJO

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