terça-feira, 23 de novembro de 2010

Falando naquilo...

Caro leitor internauta, que saudades de escrever!! Embora os assuntos sobrem nos rascunhos, falta tempo para estar aqui postando e retribuindo a sua atenção comigo. Peço desculpas e agradeço o carinho. Eu mesma fico chateada por ter que priorizar outras koisas. Andei reparando em como caiu o número de postagens ao mês desde que criei o blog. Felizmente o trabalho e os compromissos aumentaram e, em consequência disso, infelizmente tenho tido menos tempo para postar. Mas vamos lá. Há séculos tenho vontade de falar 'naquilo' com a seriedade que o assunto merece.

Mas 'naquilo' o que? É isso mesmo, caro leitor internauta. Hoje falaremos de sexo! Aha, gostou, né? Pois é, sexo! Está aí um tema que sempre desperta curiosidade, polêmica e tabus... principalmente quando se refere aos 'malacabados'. É tipo assim 'todo mundo faz, mas é feio falar'. Que bobagem! Não faz muito tempo as pessoas pensavam que os deficientes eram, inclusive, assexuados. Um engano. Você pode ter frigidez, falta de desejo ou importência sexual sem ter uma deficiência. Concorda? É óbvio que os 'matrixianos' têm libido e vida sexual ativa. Por que não? Não importa se é cadeirante, surdo, cego, andante, lesionado ou com defeito de fábrica (tipo eu), os deficientes também fazem sexo, ué. Isso é tão óbvio para mim que não entendo tanta discussão e diferenciação. Não há 'normalidade' para o sexo. Com os 'matrixianos' é do mesmo jeito que é com todo mundo. Talvez não dê para realizar todas as posições do Kama Sutra, é verdade... mas dá para tentar de outros jeitos porque a questão do prazer é igual para todos. Aí você vai descobrir com seu partner qual é a melhor forma. Não há o meu beijo e o seu beijo, há o nosso beijo. Não há o meu jeito e o seu jeito, há o sexo que fazemos juntos, a dois. Dois que se transformam em um! Quer que eu desenhe? Melhor não... risos. Cada um tem suas limitações e preferências, independente de ser 'normal' ou não. Eu, por exemplo, não me vejo diferente das outras pessoas, nem no sexo. Eu amo e desejo como todas as outras mulheres. Todas nós, mulheres, nos preocupamos com a celulite, com a depilação, com os quilinhos a mais, com isso, com aquilo... nos preocupamos em caprichar na hora do 'espetáculo', etc (e a maioria das paranóias é uma besteira). É ou não é? São dúvidas e incertezas comuns. Assim como os homens também devem ter as inseguranças deles. Claro que há deficientes que possuem algumas partes do corpo com menos sensibilidade, é o exemplo dos paraplégicos e tetraplégicos. Como eu não tenho essa característica (lesão ou falta de sensibilidade), fui ler a respeito para não falar besteira aqui para você, caro leitor internauta. E, olha só, eu aprendi muito. Você sabia que homens para ou tetraplégicos podem ter ereção e, em alguns casos, até a ejaculação? E você sabia que algumas mulheres na mesma condição podem ter o aumento da sensibilidade na parte interna do órgão genital? Nesses casos, as pessoas descobrem o prazer em outras artes do corpo, antes não exploradas. Fantástico!

Daí eu estava aqui concentrada escrevendo e pensei que também devem existir motéis adaptados. Aliás, por falar em motel, eu lembrei que em um dos dias de curso lá em São Paulo, em setembro, estávamos paradas no trânsito, caos total na hora do rush, e eu olho para o lado e vejo um motel. Primeiro que acho engraçado porque Sampa é enorme, tem muitos motéis e é tudo no meio da cidade mesmo (e tem cada nome bizarro!) - por aqui, em cidade pequena, os motéis são 'escondidos', longe do centro, lá na BR, até porque, se fosse no meio da cidade, com certeza haveria um vizinho seu de plantão no portão bisbilhotando a sua vida sexual. E, segundo, achei cômico porque tinha escrito numa placa enorme: 'Suites com karaokê'. Eu dei um grito dentro do carro: 'Caraaaaaaaaaca! Karaokê? Pra quê?'. Renata e Denise morreram de rir porque eu não entendi qual é a finalidade de ter um karaokê num motel. Será que o dono é japonês? Geralmente eles curtem um karaokê, né? Não sei, mas imagine a guria dizendo: 'Amado, cante Amado Batista pra mim!', ou então o cara: 'Thutchuca, cante Ilariê pra mim... sem desafinar!'. Credooooooooooooo! Que horror! Mas então, há sim, empresários que pensaram nessa demanda (os deficientes, não nos cantores... risos). Pesquisei e vi que no Blog Mão na Roda tem uma lista de motéis acessíveis, segue o link: http://maonarodablog.com.br/tags/motel-adaptado/ . Muito legal!

Para que você tenha uma vida sexual ativa, saudável e sem tabus, você precisa se aceitar como é. Seja você alto, baixo, gordo, magro, preto, branco, azul, amarelo, oriental, ocidental, 'matrixiano' ou não. Se você não se gostar, ninguém mais poderá fazê-lo. É clichê, mas é a verdade. Se você também é 'malacabado(a)' como eu e/ou tem um monte de receio, aceite-se. Se você tem curvas tortas, celebre sua diferença. Você é único(a) e inesquecível por si só. Descubra a beleza que há em você. Seja criativo(a), inove, permita-se! E, por fim, se o cara ou a guria não quer ficar com você pelo simples fato de você ter uma deficiência, então desencane logo porque essa pessoa não merece estar com você e esse é um problema dela, não seu. O prazer não está exatamente ligado à forma (perfeita), transcende a materialidade do corpo. Tem a ver com qualidade de conteúdo, amor, paixão, desejo, pele, cheiro, gosto, respeito, carinho... tudo junto e misturado, ou fora dessa ordem (estou aprendendo isso). Faz bem para a pele, para o cabelo, para cada célula, para o ego, para a alma! E para o sexo ser bom não é preciso ser atleta, mas sim talentoso(a). Então aceite-se, ame-se, cuide-se, relaxe e goze. Seja feliz!

Na foto acima: Cléo Pires (sortuda!) e o ex-BBB Fernando em sua cadeira de rodas (que ficou paraplégico num acidente de carro). Morri, né? Lindo demais o cara!

Beijos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ser diferente é MEGA normal!

Caro leitor internauta, pense rápido: qual é o contrário de eficiente? Pensou? 'Ineficiente' é a resposta. Acertou? Talvez você tenha pensado em 'deficiente', mas deficiência nada tem a ver com 'não ser eficiente'. Todos as pessoas, sem exceção, possuem algum tipo de deficiência. Umas aparentes, outras não (as piores, muitas vezes). A minha deficiência, por exemplo, é física e visível. E não para por aí, tenho muitas outras: sou teimosa pra caramba, moralista, exigente, etc... sem contar que tenho um bloqueio mental absurdo para a matemática (incidência comum em psicólogos). Bom, as koisas vêm melhorando, é verdade... de repente ser 'matrixiano' virou moda e foi parar no horário nobre, mas ainda há quem não esteja preparado para respeitar as deficiências dos outros - vai ver é porque nunca reflete sobre suas próprias limitações. O fato é que os 'matrixianos' estão por todo canto e a sociedade não pode mais fingir que não (n)os vê. Eu sei que na teoria é tudo lindo e até utópico, mas cheguei à incontestável conclusão de que não podemos falar de inclusão, sem falar em acessibilidade. Aliás, a inclusão é um tema muito complexo e que me causa coceiras. Me proponho a fazer um post só sobre isso num outro momento. Agora vamos olhar a acessibilidade além de uma rampa, caro leitor internauta. A acessibilidade é mais que estrutura física, é ter/dar acesso ao trabalho, ao estudo, à cultura e ao lazer, à cidadania... acessibilidade de estar junto aos outros e de ser digno. É ter/dar autonomia e independência e a chance de conviver com a diversidade. Sem contar que o direito de ir e vir é garantido na Constituição a todos os cidadãos, sem exceção.

O blog jamais teve (ou terá) o objetivo de ser um Muro das Lamentações, deixemos isso para a Terra Santa, já falei isso por aqui. Acredito que os outros nos veêm, dependendo da postura que temos. Se eu me respeito, me respeitarão. Se me faço de vítima, sempre serei uma coitada. Então sempre tive a convicção de que é preciso ser agente sem ser pedante. É preciso tomar muito cuidado para exigir um direito sem causar o efeito reverso, ou seja, sem deixar que nos tornemos grupos excludentes e excluídos. Trago esse assunto para a pauta porque chegou o momento de agir. Mês passado aconteceu aqui em Garopaba o I Fórum de Acessibilidade com o intuito de divulgar a missão que a cidade recebeu: ser referência estadual em turismo adaptado. É mole? O pessoal das Secretarias Municipais de Educação e de Turismo me procurou para eu ajudar na organização do evento e para participar da mesa redonda (que, na verdade, era retangular, mas tudo bem). Como sou super metida, topei na hora. Foi bem estranho falar de mim na frente de tantas pessoas naquele dia. Todos com olhares atentos voltados para a 'picurruxa' aqui. Estou acostumada que me olhem, sim - não por ser a sósia da Bündchen, claro, mas porque as pessoas têm curiosidade com o diferente. E outra: não tenho problema para falar em público, mas ali eu não estava defendendo minha monografia, eu estava falando de mim e numa posição de 'matrixiana', koisa que, confesso, muitas vezes, esqueço que sou. Falando nisso, eu não me incomodo com o olhar curioso dos outros e, principalmente das crianças. Eu me incomodando ou não, vão olhar de qualquer jeito, então relaxo e aproveito a vida. E, se olham indiscretamente, para 'quebrar o gelo', eu devolvo a curiosidade com um sorriso. Sempre funciona! Um sorriso pode mudar tudo, não é mesmo caro leitor internauta?

Bom, estar no I Fórum foi bacanérrimo porque, além de 'chacoalhar' as pessoas, eu pude mostrar o blog, comentar dos contratempos e alegrias de viajar sozinha, e falar das dicas de acessibilidade que já postei por aqui. Foi demonstrado, também, pelo Marcus (secretário de turismo), o projeto da cidade de Socorro/SP que é referência nacional e internacional em turismo acessível. Receberemos suporte da mesma organização que assessorou a mudança de lá. Ao final das discussões, dei entrevista à Rádio Frequência News e conheci o Arenilton, grande radialista e parceiro nessa idéia. Recebi o convite de participar de seu programa da rádio no fim de semana seguinte e foi muito bom. Muitas pessoas comentaram, mandaram emails, etc. Inclusive deixo aqui um beijo para o pessoal de todo o país que nos ouviu pela internet e, em especial, para a Paraíba (terra do Arenilton). Aos demais, faço questão de responder a todas as mensagens em breve.

Depois disso tudo, eu e a comitiva das Secretarias Municipais de Educação e de Turismo fomos a Criciúma, em outro fórum sobre o tema. Tive que tirar as fotos de lá com o meu celular, pois o Marcus (que é secretário de Turismo e também fotógrafo) esqueceu a câmera dele, isso porque liguei para lembrá-lo. Segundo ele, só lembrou da máquina quando foi me buscar e me viu. Só me faltava essa: ter cara de Nikon D80, né? Adivinhe só, caro leitor internauta: cheguei na porta da universidade (Unesc) e havia dois degraus (fotografei com o celular, mas não consegui descarregar as fotos). Ah, não, isso não foi nada. O pior estava por vir: tinha uma escada para entrar no auditório. Sim, sim, acredite. Eu falei para o Marcus: 'Isso é uma pegadinha, né?'. Achei que a qualquer momento apareceria o Silvio Santos dizendo: 'Oe, hihi... sorria. Você está no SBT!'. Nãããão! Eu não estava na tv e aquela piada não tinha graça. Como vamos a um evento, numa faculdade, falar em acessibilidade se o próprio local não dispõe da estrutura e da mudança a qual se discute? O organizador do evento, sr. Ismail (é Ismail mesmo, não errei o nome dele) queria cavar um buraco e se enterrar quando me viu ganhando um colinho para entrar no recinto. Me pediu desculpas e eu, cara-de-pau que sou, respondi rindo: 'Sua sorte que não sou palestrante. Senão, como eu subiria no palco?'... risos. Como sou da filosofia de que 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena', achei que o fórum de lá foi bem produtivo. Mas ainda volto lá para cobrar umas rampas!

Por aqui, na última reunião sobre acessibilidade, dia 10, na câmara dos vereadores, ficou eleita uma comissão responsável por coordenar e apoiar projetos para que Garopaba alcance a meta de ser referência estadual no turismo acessível. É válido lembrar que, quando falamos em turismo acessível, estamos dizendo que antes de tornar a cidade viável para os visitantes, tornaremos Garopaba acessível para os 'matrixianos' e idosos daqui. Essa frente de trabalho é independente do governo municipal, com autonomia, o qual objetiva elaborar, participar e fiscalizar ações junto aos órgãos competentes. Eu fiquei como presidente por aclamação e me sinto honrada em poder estar junto nessa nova (e árdua) empreitada. Pensei em criar um blog específico para manter você, caro leitor internauta, atualizado sobre esse trabalho, mas sei que não terei tempo de cuidar de dois links, então, sempre postarei as novidades sobre esse tema por aqui mesmo. Em breve terei novas notícias. Aguardem!

Próximo post: A sexualidade dos 'matrixianos'.

Agradecimentos especiais:
* Sec. Mun. de Turismo: Marcus, Graci e Thales.
* Sec. Mun. de Educação: Rose e Nadir.
* Sec. Mun. de Obras: João Manoel.
* Rádio Frequência News: Arenilton e Sérgio Saraiva.
* Vereadores Rogério, Targino e Luiz.
* Professor Rui, Graciele e João Pacheco.

Beijos e bom feriado.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Koisas nossas...

Bom dia, caro leitor internauta! Dia lindo por aqui...

Nesse ano de 2010, em que criei o blog para ressignificar as minhas koisas, tive a sorte de encontrar duas pérolas na 'blogsfera': Solange Maia (eucaliptosnajanela.blogspot.com) e Erica Vittorazzi (adoropalavriar.blogspot.com). A Solange, pra mim, é tipo um 'mito' e a Erica, não menos importante, é tipo uma amiga que mora longe com um detalhe peculiar: eu nunca a vi pessoalmente, mas ela sempre passa aqui no Koisas Com Ká e comenta as minhas postagens. São duas mulheres que descrevem, de maneira simples e fiel, o que sinto. Quem me conhece sabe que eu não gosto da leitura complicada, para poucos. Ao contrário, eu gosto de tudo muito claro, muito bem dito. Eu gosto do que descomplica, do que você lê e se identifica. Assim como a música e outras formas de arte, a escrita é uma ferramenta incrível para a expressão e elaboração dos sentimentos e pensamentos. Como diz minha mãe: 'O papel aceita tudo!'. Verdade. Mãe tem sempre razão. Aqui, meu 'papel' é um monitor, minha caneta é um teclado e minha caligrafia vira fonte 'Georgia'. E quando eu não dou conta de traduzir as minhas koisas, sei que tem quem faça isso por mim, mesmo sem saber. Pessoas que sequer vi ou ouvi pessoalmente, nesse caso. São raros os escritores que têm o dom de alcançar o leitor com tanta propriedade. Então quando tudo está num turbilhão por aqui sem eu conseguir nomear cada koisa (todo dia, praticamente), eu vou nesses dois blogs e tudo que leio contempla uma parte de mim. Hoje deixo para você o último texto postado pela Solange e pela Erica. Ambos traduzem koisas minhas.

Saudade? Agora não, obrigada.

Só sei que acordei e já não doía mais.

Nem mesmo a quietude me incomodou.
É que não tinha mais aquele peso, aquela importância.
E pensar que de tanto querer entender aquele amor, quase perdi o passo.

Não vi o tempo correr.
Não vi a gente ficando diferente.

E, de repente, aquela antiga história já não cabia em lugar algum.
Deve ser assim que os amores acabam.
Um sempre parte. E o outro fica.

Saudade ? Agora não, obrigada.

(Solange Maia)

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Ilha

O sol está forte aqui deste lado da fronteira. Mas, está nublado em mim. Com previsão de chuva. A trovoada me atormenta e não me deixa escutar os meus próprios pensamentos. O que será que penso? Não penso. Reajo. E caminho sem guarda-chuva. Sem proteção. Quero que o vento me leve para algum outro lugar...


... bem distante de mim.

(Erica Vittorazzi)



Boa semana pra todos nós!
Besitos.

sábado, 6 de novembro de 2010

Depilação também é cultura!

... a depilação. Sim, caro leitor internauta, hoje meu post destina-se a esse tema tão difundido entre as mulheres. Hábito tão chato, mas tão necessário. Depois de anos fazendo essa 'tarefa' em casa, resolvi seguir os conselhos da Jeovana e fazer a depilação com cera quente (no salão de beleza da minha tia). Ando cansada desses afazeres que demoram e que dão trabalho. Sou adepta da praticidade, ou seja, vou lá, pago e está feito (e bem feito). Com o cabelo também aderí esse costume da vida corrida e moderna. Passo um produto que relaxa os fios e hidrata sem deixar liso demais. Escovo uma vez por semana, pelo menos, e pronto. Não tenho que me preocupar em andar com a cabeleira presa. Mas, voltando à depilação, adiei esse momento por anos simplesmente por medo da dor, embora tenha 10 cirurgias nas pernas. Não que ir para o hospital e ter que tirar pontos sejam koisas agradáveis, mas o que é uma depilação de 20 minutos para quem já passou por tudo que passei, não é mesmo?

Pois é, descobri que é muita koisa!... risos. Vamos lá. Tomei uma boa dose de coragem em gotas e marquei um horário com a Marní Lima (a depiladora). Aproveitei que minha amiga gaúcha Raquel estava por aqui e a convidei para o tal 'programa de índio'. Quando entrei naquela sala toda branca e vi uma maca branca também, o desespero foi tomando conta de mim. Primeiro porque o clima me lembrou laboratório de hospital, segundo porque eu sabia que ia doer pacas, e terceiro porque macas não são acessíveis. Aqui cabe um comentário: os 'matrixianos' ralam para subir/descer de macas - são altas e não possuem um mecanismo que facilite a subida/descida. Mas beleza. Respirei fundo e deitei. Olhei para o teto e não vi nada, nem um móbile para distrair moças medrosas como eu durante a sessão de 'tortura'... risos. Aliás, vou sugerir à minha tia que coloque algum adereço colado ou pendurado no teto para motivar quem está naquela situação tão estressante... risos. Já conheço a Marní há anos, sempre trocamos segredos e confiei a ela essa empreitada porque sei que é uma pessoa tranquilíssima e muito profissional. Fui logo de cara dizendo: 'Marní, eu tô com muito medo.'. E adivinhe? Ela tem uma técnica infalível para acalmar as clientes: dizer a verdade. 'Vai doer muito, mas isso não é só com você, é com todas as mulheres que se depilam com cera.'. Ah, tá bom... valeu, eu adooooro gente sincera, caro leitor internauta. Era melhor mesmo tomar consciência da dor e enfrentar os fatos de frente (já que depois teria que ser de costas).

Bom, quando fico numa situação desesperadora, eu rio descompassadamente. Fui rindo de dor e ouvindo as manicures do lado de fora (mais a Raquel) rirem do meu jeito. E doeu. Doeu muito. Primeiro você sente aquela cera quente e grudenta, depois um puxão que parece arrancar um pedaço seu. É claro que não sei como é dar à luz, mas desconheço outra dor tão dolorida... risos. Tirar pontos de cirurgia é molezinha, como sentar num pudim. Eu sei que depilar com cera é prático, que fica mais bonito, que a pele fica mais macia, que depois nascem menos fios e que a natureza humana é perfeita, mas não encontro um argumento convincente que explique por que cargas d'àgua mulher tem que ter pêlos além do couro cabeludo, cílios e sobrancelhas. Bom, lá pelas tantas eu parei de rir. A Raquel, preocupada, bateu na porta devido ao meu silêncio: 'Ká, tá viva aí?'. Um 'acho que tô' foi minha resposta. Na verdade eu já não tinha mais força para rir (nem para nada). Eu só resmungava: 'Te odeio, Marni!' e ela ali ignorando o meu sofrimento dizendo que as mulheres saem da sala dela mais felizes do que quando entraram. Sem dúvida, não era o meu caso.

Naquela altura do 'campeonato' senti uma pontinha de arrependimento por ter ouvido a Jeovana (e a 'maledeta' nem estava ali comigo para eu xingá-la), mas já que eu tinha descido para o 'playground', tinha que encarar a brincadeira, certo? Então para me conformar, resolvi pensar que, graças a Deus, eu não era o Tony Ramos. Ufa! Ao terminar o trabalho, para me convencer a voltar, a Marní filosofou: 'Ká, a vida é tão curta que não vale a pena ficar peluda!'. É, concordo... esse é um bom argumento!

Bom fim de semana, queridos!