quinta-feira, 28 de outubro de 2010

5 koisas

Boa noite, caro leitor internauta!

Sabe aqueles dias em que você tem um monte de koisa para fazer, mas está sem disposição para fazê-lo? Pois é, esse é um dia desses para mim. Tenho que postar a respeito de dois eventos os quais participei na semana passada: o I Fórum de Acessibilidade de Garopaba e o programa na Rádio Frequência News, mas eu não estou muito inspirada para filosofar, embora meu desejo de escrever seja inevitável. Como eu prefiro fazer bem feito do que fazer de qualquer jeito, falarei desses assuntos numa próxima postagem. Combinado? Então, por hoje, resolvi aderir à idéia da Erica Vittorazzi (adoropalavriar.blogspot.com) e listar 5 koisas que você ainda não sabe sobre mim. Eu já fiz esse joguinho aqui há muito tempo, mas essa lista é inédita.

Vamos lá:

1. Uma das poucas koisas que não gosto de comer é o morango.

2. Eu faço koisas esquisitas com o corpo: mexo as orelhas, viro o dedo indicador direito pra cima até encostar no punho, estalo a clavícula esquerda, viro a língua ao contrário e levanto só uma sobrancelha.

3. Eu sou (muito) apaixonada por barba.

4. Ao contrário de muitas mulheres, eu adoro cortar o cabelo.

5. A única vez que tive inveja de um homem foi quando um sambista da Portela disse que teve um caso com o Ricky Martin. 

Prometo que logo postarei algo mais construtivo.

Beijinhos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Ih, quase morri!

Pois é, caro leitor internauta. O título da minha postagem não é nenhuma piadinha tipo as que você está acostumado a ler aqui no blog. Dia 26 de setembro, data da minha vinda de Sampa para casa, eu vi a Dona Morte de perto... tão pertinho que ela quase sentou ao meu lado para tomarmos um lanchinho juntas. Vou explicar por que: naquele domingo, o Márcio (marido da Rê) acordou meio adoentado. Enquanto ele repousava, arrumei a bagagem. Separei a roupa usada em sacolinha plástica e coloquei no fundo da mala. Depois juntei as koisas no banheiro e guardei as necessaires. Conferi se os documentos estavam na bolsa e chequei a bateria do celular. Me sentei na cama e olhei para a mala com ar de nostalgia, como em todas as vezes que tenho que ir embora. Almoçamos eu, Renata e Jeovana... e o Márcio foi se recuperando (acho que foi de tanto que rimos). Quando saímos de casa o horário já estava apertado, mas não me apavorei. Na Imigrantes o trânsito estava intenso, mas andando. Chegamos em Congonhas faltando 15 minutos para o meu voô partir. Parece muito, mas não é. Ainda deveríamos andar até o check-in, fazer os trâmites e me dirigir para a sala de embarque e tudo isso é muito longe por lá. E eu ainda não aprendi a correr, caro leitor internauta, então fui me preparando psicologicamente caso não desse tempo de embarcar... risos. Eu estava tranquilíssima com a situação - tanto pela a probabilidade de embarcar num próximo voô ou pela vontade descarada e inconsequente de ficar ali... risos.

E não deu tempo mesmo. Renata e Jeovana foram correndo na minha frente e levaram meus documentos para tentar fazer o check-in, mas já era tarde. Quando consegui encontrá-las já estava tudo resolvido: Jeovana reconheceu o meu amigo Genivaldo (da Gol) no balcão e ele já havia conseguido um lugar para mim no voô seguinte, mais ou menos, para uma hora depois - e sem pagar o no show. Ouvi ele falando no rádio e estavam direcionando a aeronave para o portão 12 (no finger, porque era mais fácil para mim), já que, oficialmente, o embarque seria no portão 19 (na pista - primeira foto acima). Mas era muita coincidência: dia de folga do Genivaldo, então por que ele estava ali trabalhando bem na hora que perco o avião? Batemos um papo e, enquanto ele ajeitava os últimos detalhes, fui até uma livraria perto da praça de alimentação e comprei um livro de presente para ele. Era um livro que ele queria e achei que seria uma boa forma de agradecê-lo pela gentileza. Afinal de contas, ele não tinha obrigação nenhuma de me embarcar e muito menos de não cobrar as taxas, não é verdade? Deixei uma dedicatória na primeira página como se o livro fosse meu... risos

Enquanto aguardava sozinha naquelas cadeiras de sala de espera, comi um chocolate que havia comprado num semáforo próximo de Congonhas e a mesma questão se fez presente em boa parte da viagem: por que perdi o avião? O que a vida quis oportunizar com meu atraso? Acredito que tudo tem uma razão para acontecer, então qual era a razão daquilo? A resposta viria mais tarde. Por sorte, sentei na poltrona 1, é o melhor lugar do avião, mais espaçoso. Na janela sentou um senhor e o meu lado, uma guriazinha muito esperta chamada Tatiana, de 10 anos. Ela sabia de cor as falas de instruções de segurança da aeromoça, cômico... risos. Depois me contou que mora em Floripa, mas viaja a cada 15 dias para ver o pai em São Paulo.

Deixamos a capital paulista com muita neblina e chuva. Depois de ultrapassar as nuvens pude ver o horizonte limpo e, lógico, a imagem merecia uma foto. No meio da viagem, enquanto os comissários distribuíam os lanches, tomamos o primeiro susto: soou um alarme e eles correram para sentar em suas poltronas próximas à porta de entrada. Foi a pior turbulência pela qual já passei, mas foi bem rápida. Até aí, eu estava tranquila... e a Tatiana também. Quando nos aproximamos de Floripa, o piloto desceu um pouco e entramos numa mega nuvem, caro leitor internauta. Você sabe como é estar dentro de uma nuvem num avião? Primeiro que escurece tudo, fica parecendo um cinema e depois a luz do avião que pisca do lado de fora deixa parecendo que há um pirralho chato acendendo e apagando um interruptor. Não é muito agradável, eu garanto. O comandante, então, avisou que dentro de alguns minutos estaríamos aterrisando. Quando o piloto diz isso, você pode contar uns cinco minutos e já estará na pista, maaaaaaaaaaaaas não foi isso que aconteceu naquele dia. Era hora do segundo susto: entramos na nuvem e não saimos mais. Quando o avião está descendo você tem a nítida sensação de que tem alguém puxando suas calças para baixo, mas também não foi o que aconteceu. O que todos sentiram é que o avião estava fazendo curvas dentro da nuvem. Pendia para a direita e acelerava. Girávamos sob o mesmo ponto repetidas vezes. As pessoas começaram a ficar aflitas. Como eu estava numa posição 'privilegiada', tinha a visão exata das poltronas dos comissários e percebi que eles também estavam aflitos. A aeromoça respirava fundo e o aeromoço olhava para o teto como se implorasse para aquilo ali acabar logo. Se, eles que trabalham com isso, estavam nervosos, como eu poderia ter tranquilidade? A Tatiana começou a rezar e pediu para segurar a minha mão e, mesmo estando desesperada, me obriguei a passar o mínimo de serenidade para a menina. Não sei se consegui, mas eu não poderia entrar em pânico e deixar a criança pior que eu, certo?

Nesse momento, senti o meu coração bater muito forte. Na verdade, eu só conseguia ouvir o ritmo frenético do meu coração. Era como se ele estivesse pulsando fora do meu corpo... ao lado do meu ouvido, mais exatamente. Senti meus olhos secos, sem conseguir piscar e correu um flash na cabeça. Ainda quero fazer muita koisa nessa vida. Ainda quero publicar um livro, comprar uma Kombi 1973 e ter um cachorro São Bernardo. Quero saltar de paraquedas, casar vestida de noiva e ter filhos. Ainda quero fazer especialização, mestrado e doutorado. Quero ir a Paris. Quero aprender a tocar bateria. Quero ser poliglota. Quero ir num show do Roberto Carlos. Quero conhecer o Luciano Huck. Quero um afilhado. Quero trabalhar na AACD. Quero pular numa cama elástica. Quero comer, rezar e amar. Quero sorrir e perdoar. Quero ser ponte, ao invés de ser muro. Quero deixar algo de bom, uma semente bem plantada. Quero voar. Quero muito mais. Quero tanta koisa, mas naquela hora tudo que eu conseguia pensar era que eu só queria estar viva para realizar meus sonhos. Parece mórbido, mas não é... se eu morresse ali, estaria em paz porque eu adoro estar no céu. Constatei o quanto a vida é delicada e efêmera. E, de repente, você se esquece agradecer por estar respirando e deixa de contemplar a beleza desse dom de ser e de estar vivo.

E então tratei de rir da minha própria desgraça. Já que morreria, eu queria morrer sorrindo... risos. Aí voltou a questão: será que eu tinha perdido um avião para morrer em outro? Isso é bem koisa de notícia do Jornal Nacional, né? 'A passageira Karla Garcia Luiz se atrasa, perde o voô e morre em queda de avião!'. Credoooooooooooo! Espero que um dia o William Bonner diga o meu nome, mas não para anunciar uma tragédia! Quero estar viva pra ver isso... risos. E não dizem que pensamento tem poder? Então comecei a pensar: 'Desce, comandante... desce... minha vida não tá pra negócio não! Bóra descer esse trem que não é trem!'. Ufa, depois de 20 intermináveis minutos começamos a descer. A sensação foi parecida com aquela de quando você está apertadíssimo para fazer um pipi e, finalmente, consegue fazê-lo. Um alívio! Pude sorrir com tranquilidade e lembrar da semana maravilhosa que havia passado em terras paulistas. Pela janela vi as luzes da pista do aeroporto. Olhei para a Tatiana e falei: 'Pronto, mocinha. Estamos em casa!'. Antes de desembarcar, a fofíssima, provavelmente mesmo sem saber o quanto tinha me ajudado, me deu a resposta que buscava: 'Você perdeu o avião, mas pense pelo lado bom, você conheceu uma pessoa legal: eu!'. É, ela tinha razão.

Quando vi e abracei meu pai na porta do desembarque, tão assustado quanto eu, nem pude acreditar. Eu estava de volta ao meu aconchego.

Boa semana, queridos!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tahiti Restaurante (Guarujá/SP) - PERFEITO


Feliz terça-feira, caro leitor internautaaaaa! Tá bom, nem tão feliz assim já que estamos no horário de verão. Eu sei, eu sei, é uma chatisse, né? Às vezes me pergunto se essa mudança no horário compensa às hidrelétricas, porque ao meu corpo, definitivamente, não. E quando nos acostumamos com o danado do horário, ele acaba e tudo volta ao normal. Bom, mas a minha produção filosófica de hoje não se refere a isso, mas sim ao Tahiti, um restaurante que deveria servir de exemplo de acessibilidade aos restaurantes desse país - quiçá, do mundo! Estive pela primeira vez no Tahiti Restaurante quando me hospedei na casa da Renata, no Guarujá, nas férias de julho. Nessa ocasião, foi o Márcio (marido da Rê) quem tirou as fotos, as quais eu nunca recebi (por problemas técnicos... risos) e fiquei impedida de dar essa dica para você, temporariamente.

O estabelecimento fica na Praia de Pitangueiras, em cima do calçadão, na beira da praia. Na beira mesmo, tanto que, se eu abrisse a janela e resolvesse dar uma 'voadeira', certamente cairia com as fuças na areia... risos. É um dos lugares mais procurados do litoral paulista e conta com arquietura e decoração no melhor estilo polinésio. Ao chegar lá, só reparei a rampa de entrada. Até aí, nada de tão surpreendente, não é mesmo? Sentamos e o Márcio comentou que eles tinham cardápio em braile. Opa! Agora sim, meus olhos começaram a brilhar... risos. Eu nunca havia ouvido falar num restaurante que se preocupasse tanto com os 'malacabados'. Achei sensacional, óbvio. Em seguida, o Márcio foi ao banheiro e, ao retornar à mesa, me disse com empolgação equivalente a uma criança em frente a um pirulito colorido: 'Kaká, os banheiros são totalmente adaptados. Põe no blog!'. Olha só, caro leitor internauta, vem acontecendo algo engraçado (e bacanérrimo), quando saio ou converso com meus amigos, três frases típicas aparecem:
1. 'Isso vai pro blog?'
2. 'Isso tem que ir pro blog!'
3. 'Isso não pode ir pro blog!'



Hahahahahahaha... Não pestanejei: fui conferir o banheiro, falei com o gerente e pedi para fotografar e comentar aqui. Apesar de não precisar de banheiro adaptado, eu acho bárbaro quando as pessoas investem nisso. O cardápio em braile eu não vi, pois estava em 'reforma' no Lar das Moças Cegas, em Santos, que é a instituição que confecciona o material. Está bem, eu esqueci de perguntar se alguém lá entende LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), só faltava essa mesmo. Já pensou, caro leitor internauta? Aí, sim, meus olhos brilhariam mais que vestido de perua em chá beneficente... risos. Mas, da próxima vez perguntarei sobre isso, prometo. O cara me contou que o restaurante recebe, com certa frequência, 'matrixianos' de todo tipo (deficientes visuais com cães-guia, os tradicionais cadeirantes e os que possuem a 'lataria' meio amassada feito eu... risos). Bom, depois do 'conversê' com o gerente e uns garçons que estavam por ali, preenchi a famosa ficha de satisfação do cliente e deixei o endereço do Koisas Com Ká. Semanas mais tarde, recebi dois e-mails: um do pessoal do SAC perguntando se eu precisava de alguma informação ou foto para fazer a postagem; e outro do dono (sim, do dono) querendo saber se já tinham entrado em contato e para elogiar o blog. Muito legal, né?

Maaaaaaaaaaaaas, como eu sou brasileira e não desisto nunca, na ida ao Guarujá no mês passado, eu não poderia deixar de ir lá e fazer as fotos (acima) pessoalmente - além de desfrutar da comida maravilhosa do lugar, claro. Fomos em bando, para variar: André e Mariana, Márcio e Renata, eu e Jeovana. Levei a máquina nos 'trinques' e fotografei o que precisava. Achei que o ambiente é bem preparado não só fisicamente, devo dizer que os garçons são muito atenciosos também. Tá bom, tá bom, eu sei que eles são pagos para isso, mas nem todo mundo atende bem o público, mesmo quando seus honorários têm esse objetivo, não é verdade? E dessa vez havia mais um atrativo por lá: música ao vivo de excelente qualidade com o cantor Celso Lago. Quanto ao cardápio em braile, já estava pronto, mas na outra unidade do Tahiti (Monduba). Lugares assim me enchem de esperança, sabe caro leitor internauta? Me fazem acreditar que, um dia todas as pessoas terão acesso (físico, pelo menos) a cultura e ao lazer. Que bom seria se metade dos bares, restaurantes, lojas, hotéis, etc., se preocupassem a atender tão bem seus clientes deficientes quanto os donos do Tahiti Restaurante. Vale a pena conferir e divulgar! Sem dúvida me encantei mais com a acessilidade do local do que com a beleza do mar!

Ps.: As fotos dessa postagem são minhas e do site do próprio restaurante.

Tahiti Restaurante
Av. Marechal Deodoro da Fonseca, 367 - Praia de Pitangueiras - Guarujá/SP
Site: http://www.tahitirestaurante.com.br

Próximo post para finalizar o especial da última viagem a Sampa: 'Ih, quase morri!'.

Beijinhos. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por que 'Tyson'?

Boa noite, caro leitor internauta!

Tudo bem? Por aqui tudo certo, muito vento e frio - não encontro nenhuma explicação metereológica plausível para isso em pleno mês de outubro -, mas vamos lá. Hoje vim dividir com você o dia de mais perrengues e o mais engraçado de toda a minha vida. Um verdadeiro teste de paciência e coragem... risos. Já contei aqui que durante os cinco dias de curso na AMA, eu, Denise e Renata fizemos o trajeto Guarujá-São Paulo de carro, certo? E já contei que a Denise nunca havia dirigido na 'capitar'? Não, né? Pois é, quanto a isso foi pura diversão. Acontece que na terça-feira, 21 de setembro, a placa do carro dela cairia no rodízio de veículos de Sampa justamente no horário em que chegaríamos e sairíamos do curso. Para piorar a situação a Renata não dirige na estrada. Que beleza! Só faltava me candidatarem a motorista, né? Até cogitaram essa possibilidade, mas não, não estou tão maluca assim, caro leitor internauta. Acabei de tirar a carteira e não tenho (ainda) cacife para dirigir numa Imigrantes. E agora? Como chegaríamos ao curso naquele dia?

Renatinha deu um jeito: ligou para um conhecido que faz uso do transporte particular que sobe a serra rumo a São Paulo. Arrumamos uma van que nos levaria até a estação do metrô de Jabaquara. Às 5h da manhã lá estava um senhor chamado de João buzinando no portão. A Denise já havia embarcado no banco da frente, ao lado do motorista e eu e Renata sentamos duas fileiras para trás. Ao pegar todos os passageiros, seu João - numa disposição só - fez a tradicional chamada dos nomes para conferir se não faltava ninguém. Adivinhe qual era o primeiro nome da lista? 'RE-NA-TA!'. Caraca, o tiozinho deu um grito que eu dei um pulo e acordei de vez. Partimos rumo a São Paulo e comecei a cochichar com a Renata sobre uns papos de mulher. A Renata é a pessoa mais sorridente que conheço, ri de tudo feito eu... risos. Lá pelas tantas eu falei algo muito, mas muito engraçado e aí não prestou. Seu João perguntou à Denise se estávamos chorando e a resposta só poderia ser: 'Não, o povo tá animado mesmo!'. Nós duas tentamos abafar as risadas com nossos cachecóis, caro leitor internauta, mas o fato é que o dia nem havia amanhecido e nós já estávamos chorando de tanto rir, literalmente. A viagem passou num piscar de olhos. Descemos no Jabaquara. Muito movimento, cidade acordando. Porém, o ponto de ônibus da AMA é na estação do Paraíso. Pegamos um táxi até lá. No caminho reparei o sol nascendo no meio dos prédios, era um dia lindo vindo nos brindar. O motorista era muito legal e acho que ficou zonzo com três 'matracas' logo cedo dentro do carro. Muito gentil, nos explicou como chegar no Cambuci no dia seguinte e eu, enganando a mim mesma, disse que havia entendido as instruções (foto acima). Na estação de metrô do Paraíso, o ônibus da AMA já aguardava. Fomos até Parelheiros (lá onde Judas perdeu as meias, porque as botas foi bem antes) e passamos o dia estudando, já que esse era o propósito. Mas ô lugarzinho longe, viu? Quando voltamos ao agito da metrópole foi, realmente, como chegar ao Paraíso... risos

Para voltar ao litoral (para casa), teríamos que pegar a tal van novamente no Jabaquara, mas, até lá, outro táxi. Ah, meu Deus, quem nos levou foi um taxista com idade compatível ao Tutancamon. Caro leitor internauta, o senhorzinho fez mais barbeiragens do que o Barrichello, ele não poderia mais estar dirigindo e, como se não bastasse isso, ele nos enrolou, viu? Deu voltas para chegar ao Jabaquara. No caminho, sem ter o que dizer, soltou essa: 'O mundo vai acabar em 2012!'. Claro que não sei ficar quieta e respondi: 'O mundo tá acabando aos poucos, faz tempo... e é nossa culpa!'... risos. Chegamos ao Jabaquara e nada da van. Já era noite e tinha um povo estranho na rua. Renatinha ligou para o cara do transporte particular e ele disse que um Meriva viria nos buscar, pois todas as vans da empresa já estavam ocupadas. Chique, né bem? Seria chique se não fosse tenebroso! Eu não estava gostando nadinha daquela espera e para piorar começou a chover fininho.

Tchan-tchan-tchan-tchan-tchan, o tal Meriva chega e desce um negão de 2m de altura e 3m de largura. 'Boa noite. Meu nome é Tyson!'. Ah tá, que maravilha! Depois de um dia corrido como aquele, eu sentia um calafrio subir nas costas. Só me faltava virar saco de pancadas mesmo, ou lona de ringue, ou luvas de boxe... risos. Entramos no carro todas no banco de trás e um outro passageiro já estava na frente. Baixinho, falei para a Renata e para a Denise: 'Agora eu tô com medo... mesmo. Não é piada!'. Pense comigo, caro leitor internauta: éramos três pobres mulheres indefesas, num carro com dois desconhecidos - um deles no controle do volante e ainda com o nome de Tyson! Minha Nossa Senhora Protetora das Psicólogas Alopradas, aquilo era demais para a minha coragem! E parece que mãe sente, né? Nessa mesma hora, minha mãe ligou para saber se estava tudo bem. Me limitei a dizer que sim, mas que ainda estávamos na estrada. Já era mais de 20h e ela achou tarde para ainda estarmos no caminho de casa. Pobre mãezinha, se ela soubesse da metade das aventuras daquele dia, concordaria comigo que o horário era o de menos - os detalhes deixei para contar quando voltei a Santa Catarina. Ser tão bem humorada feito eu, às vezes, é um problema, caro leitor internauta, porque quando falo sério, pouca gente acredita... risos. Ou seja, minha cara de desespero virou motivo de piada para as minhas amigas naquele momento e, então, resolvi relaxar. Perguntei para o moço: 'Mas por que Tyson? Por acaso tu dá porrada?'... O cara deu uma baita gargalhada. Ufa! Não, na verdade o nome dele era Claiton, mas por ser muito forte e com fisionomia de mau, foi apelidado de Tyson. Que apelidinho carinhoso, hum? Respirei aliviada, pode acreditar. E depois percebemos que o cara era muito bacana, tranquilíssimo e educado. Conversamos durante todo o trajeto até em casa. Além do mais, ele é o melhor motorista que já conheci. O cara era bom de braço mesmo, mas para dirigir. De fato, as aparências enganam - nesse caso, ainda bem!

Próximo post: Restaurante Tahiti (Guarujá/SP) - Dica de Acessibilidade

Beijo, beijo, beijo.   

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Restaurante 'A Casa da Bisa' - Dica de Acessibilidade

E aí, caro leitor internauta? Como vai?

Conforme anunciado no final do último post, hoje o texto é dedicado ao Restaurante 'A Casa da Bisa', no bairro do Cambuci, em São Paulo. Foi nesse cantinho da capital paulista que eu, Renata e Denise (a Denise também é psicóloga e trabalha com a Renata) fizemos o curso de autismo, na AMA. Nos dois primeiros dias de curso, todos nós, integrantes do grupo, fomos levados, pelo próprio ônibus da instuição, para o sítio deles onde são atendidos outros autistas (os mais severos). Nesses dias no sítio, no bairro de Parelheiros (periferia da periferia da periferia da cidade de São Paulo), almoçamos na própria AMA. Deixa eu fazer um breve comentário aqui, caro leitor internauta: eu dormi nesse trajeto. Quando peguei no sono, tudo era grande e de concreto e, quando acordei, estávamos no sítio da AMA, onde tudo era mato. Mato mesmo. Achei que tivesse sido abduzida! Imagine um lugar longe. Imaginou? Então, não é aí ainda, é mais pra frente, lá onde 'o vento é parado', como diz o Fabrício. Bom, continuando... No resto da semana, no Cambuci, almoçamos no Restaurante 'A Casa da Bisa'. O que inclusive me fez lembrar da Clô, da novela das 21h, que vive falando que nasceu no Cambuci... risos. Que fim de carreira, hein? Só assim eu me sinto numa novela da Globo!... risos.

Mas, voltando a hora do almoço, claro que pedi indicação de um lugar que não tivesse escadas e a Marli Marques, coordenadora e palestrante, nos indicou esse lugarzinho. Era 'pertinho' e 'fácil' de achar (esse 'pertinho' e esse 'fácil' lá são bem relativos, né?). Fomos de carro. No caminho tivemos que pedir informação e a Denise, ao invés de dizer 'bisa', perguntou: 'Moço, onde fica o restaurante da Nonna?'... risos. Aliás, em praticamente todas as vezes que tivemos ir a um endereço novo, eu que fiquei responsável de pedir a informação. E adivinhe? Me surpreendi com a educação dos paulistanos. Todos, sem exceção, muito gentis - inclusive para dizer: 'Ih, moça, não sei onde fica isso não. Desculpa!'. Será que tive sorte ou será que as koisas estão melhorando no quesito 'gentileza'? Prefiro acreditar na segunda opção. Chegamos lá e me deparei com uma calçada que não era rebaixada, mas no restaurante não havia degraus. Achei o lugar um mimo... pequeno, aconhegante, com luz natural, decoração de muito bom gosto, comida caseira maravilhosa e a dona era uma simpatia só. Eu, animadíssima com o restaurante, falei para ela que fotografaria e colocaria no blog. Está aqui o prometido!

Se você foi, vai ou mora em Sampa, há de convir comigo que a boca pode ser um bom GPS - é divertido, no mínimo. Tenha disposição e leveza porque a cidade é caótica de qualquer jeito. Você ficando mal humorado ou não, o trânsito não vai mudar, a poluição não vai diminuir e a violência não vai sumir. Aliás, em geral, não tenho medo de andar lá. E eu adoro aquele caos, aquela cidade acinzentada, acimentada. E é tudo muito bonito, basta saber apreciar. Porque é uma beleza diferente. Tem tudo a qualquer hora. Gente de todo tipo que não pára. Fico pasma com tanta diversidade, com tantos monumentos. É muita imponência! E o melhor: lá ninguém me conhece - porque aqui, se eu espirrar, a cidade inteira já sabe... risos. Costumo dizer que o Brasil começa e termina em São Paulo, pois é a grande miscigenação do povo brasileiro. É casa de muitos estrangeiros, inclusive. É berço de boa parte da nossa História; é palco dos maiores eventos e celeiro das grandes oportunidades. São Paulo é antagônica, extrema, incoerente, riquíssima e muito pobre. E, justamente por isso, São Paulo é tão humana. São Paulo me liberta! É pra lá que quero ir!

Restaurante 'A Casa da Bisa'
Endereço: Rua Maranhão Albuquerque, 71 - Bairro Cambuci - São Paulo/SP
Site: http://www.acasadabisa.com.br/
Recomendo!

Próximo post: 'Por que Tyson?'

Beijocas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os meus 26 anos!


04 de outubro de 2010, 23:44h. Fui até o banheiro do meu quarto para escovar os dentes e me preparar para dormir. Na bancada da minha pia estavam minhas koisas sob o mármore branco: muita maquiagem, perfume, porta-jóia, um pequeno aquário redondo, etc. Olhei no espelho e vi meu rosto 'limpo', sem o make up usual. Percebi que, em poucos minutos, seria dia 5 e eu estaria completando mais um ano de vida. Tratei de fazer uma retrospectiva rápida - de constatações, não de lamúrias. Lembrei do primeiro dia de aula na pré-escola (foi aí que entendi que eu era diferente das outras crianças), do Snoopy (meu cachorro quando eu tinha 9 anos), da minha alegria quando meu pai colocou uma piscina aqui nos fundos de casa, de quando operei os pés aos 6 anos e esqueceram um dedinho meu dobrado dentro do gesso, de quando quebrei o braço, do meu primeiro beijo no dia do meu aniversário de 13 anos, de quando ganhei meu primeiro computador, de quando meus irmãos nasceram, de todos os Natais em família, da primeira vez que andei de avião e conheci Brasília, de quando fui atacada por formigas no jardim do vizinho e fui parar no pronto-socorro, de todos os carnavais e shows na praia, dos meus ídolos da adolescência, das muitas ondas que eu e a Iói pegamos de bodyboard e dos muitos 'caldos' que tomamos, de todas as vezes em que essa prima desceu a rua comigo sentada num skate, de todas as vezes que fiz xixi nas calças de tanto rir com a Andresa na escola, da minha formatura de segundo grau, da perda do meu avô quando fiz 15 anos, de quando passei no vestibular, do meu plano infalível de fuga na infância.

Lembrei também da última vez em que fui operada: foram 4 cirurgias de uma vez só e graças a isso eu posso andar hoje. Caramba, faz só 10 anos que eu sei caminhar (um dia contarei essa história aqui). Nesses 10 últtimos anos eu aprendi muita koisa. Aconteceu muita koisa. Eu entrei na faculdade. Lembrei de quando ganhei a Bolsa Mérito na faculdade por ter tido as melhores notas entre todos os alunos de Psicologia naquele semestre de 2007. Lembrei das minhas responsabilidades e correria como representante de classe, de todos os amigos que fiz lá, de todos os mestres e da minha formatura. Nesse inteirim, namorei, noivei, casei e separei. Apaixonei, decepcionei e esqueci. Aquela não é mais quem sou agora. Mudei, evoluí. Lembrei que no meu último aniversário eu ainda era casada. E nesse último ano eu aprendi mais koisas do que nos outros 25 anos anteriores. Aprendi que estar sozinha(o) por um tempo é uma necessidade e não significa ser solitária(o). Aprendi que você não pode delegar a ninguém a sua vida. Aprendi que é sensacional ser livre, ter seu dinheiro, seu trabalho e tomar as suas próprias decisões. Descobri que, para conquistar o coração de alguém (e o meu) é preciso muito tempo e muita habilidade... o ímpeto é sinônimo de paixão, não de amor. Aprendi que não tenho paciência para me relacionar com pessoas mal humoradas e reclamonas, que vivem da vitimização. Você é o que quiser ser. Ninguém é vítima de nada nessa vida! Se está descontente, mude, cresça. As únicas pessoas das quais eu posso escutar qualquer koisa, incondicionalmente, são meus pacientes porque eu escolhi isso. Aprendi que o ciúme é uma tolice e a forma mais infantil de querer manter alguém perto de você.

Reaprendi a gostar de uma cama de solteiro (sim, 'briguei' com minha cama de casal e a 'despachei'). Aprendi que antes de querer ser mãe, eu tenho que encontrar um pai decente para esse filho. Aprendi que ninguém tem o direito de privar você dos seus desejos e menosprezar seus sonhos. As pessoas podem dizer o que quiserem a seu respeito, cabe a você acreditar ou não. Aprendi que dirigir e viajar sozinha é bom pacas. Aprendi a não viver em função do futuro, ele pode simplesmente não chegar como você planejou. Com isso, descobri que o melhor é viver um dia de cada vez. Ter objetivos é importante para nos impulsionar, mas são letais se passam a nos 'nutrir'. Me permito planejar, no máximo, os próximos 2 meses da minha vida. Depois? Depois não sei. Será o que tiver de ser. Meu compromisso, hoje, é só comigo mesma e irei para onde eu julgar melhor. O mundo é enorme, fantástico, cheio de possibilidades e descobri que é tranquilizante não ter que negociar nada com ninguém... se amanhã eu quiser ir para a Conchichina, faço as malas e vou. Aprendi que nunca mais vou me contentar com pouco, emocionalmente falando. Constatei que não importa o que os outros façam, eu sempre terei os mesmos valores porque ser honesta(o) vale a pena. Aprendi que a felicidade é feita de detalhes, não de grandes eventos. Descobri que tenho mais amigos do que imaginava e seria impossível citar o nome de todas as pessoas incríveis que conheci nos últimos tempos. Aprendi até onde devo depositar minha expectativa. Aprendi a gostar de brincos pequenos. Aprendi que é bom demais poder beijar a boca de alguém com muito carinho, sem perder a cabeça - porque isso é consequência, e se o resultado for uma bela amizade, tudo bem também, isso não é pouca koisa. Aprendi que ainda tenho muito pela frente. Que ainda tenho muita koisa para corrigir e muito o que aprender; que há muitas pessoas especiais por aí e que tenho semeado boas sementes justamente para encontrá-las. Aprendi que, independente do que aconteça, não adianta se desesperar, você tem que se perguntar diante de tudo: 'O que tenho a aprender com isso?'. E se você não aprendeu, é porque não viveu. Que pena!

Ser feliz não significa não ter problemas. A diferença é como você vai escolher encará-los. Ao acordar, olhe a vida como um lindo pacote fechado com laço de cetim. Abra-o em tom de agradecimento diariamente porque a vida é um presente. Aliás, a vida é o presente, nem o passado nem o futuro. E depois de pensar em tudo isso, de perceber os erros e acertos que constituem quem sou hoje, pude escovar os dentes e dormir em paz, pois tive uma única certeza: a de que sou muito feliz!

Quero agradecer a todos, de longe e de perto, que me ligaram, que me mandaram cartões e mimos, que me felicitaram pelo meu aniversário e àqueles que simplesmente se fazem presentes. Amo vocês!

Próximo post: Restaurante 'A Casa da Bisa' (São Paulo/SP) - Dica de Acessibilidade.

Beijinhos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Restaurante Sítio Laranjeiras (Guarujá/SP) - Dica de Acessibilidade

Boa noite, caro leitor internauta!
Como vai? Hoje vim dar mais uma dica de acessibilidade para você e contar a 'pegadinha' que o garçom do restaurante em questão quis pregar em mim. Como você já sabe, estive no Guarujá nos últimos dias.

Sábado à noite é dia de sair para jantar, reunir os amigos, etc, certo? Pois é, foi isso que fiz (menos 'etc', risos). Liguei para a Rubia e para a Jeovana e elas vieram de Santos, reunimos Marcela (irmã) da Rê e o namorado dela e saímos rumo ao Sítio Laranjeiras. Um lugar muito tri, aconchegante, com bom atendimento e ótima comida. Logo na entrada me alegrei ao ver uma rampa. Entramos no local e o andar térreo estava lotado. O garçom se dirigiu até a Renata e perguntou de quantos lugares deveria ser a mesa. Éramos 7 adultos, mais o Luquinhas, mas isso não fazia diferença... não havia mesa nem para duas pessoas, que dirá para 7!... risos. Bom, vendo aquela tropa toda, o garçom sugeriu que fôssemos ao andar superior. Oooooooooooopa! Já 'vacinada' de tanto sair comigo, a Rê perguntou a ele: 'Tem rampa?'. 'Tem!', ele respondeu. Como num passo de mágica, mais veloz que o The Flash, o dono do restaurante surgiu das cinzas do forno de pizza e arrumou uma mesa para nós - nessa hora eu ainda procurava a tal rampa para o segundo andar.

Sentamos, jantamos, rimos muito (como sempre!) e, de vez em quando, eu cochichava com a Renata sobre a rampa. Afinal, eu poderia fotografar e comentar aqui, não é mesmo? Analisando o recinto, vi uma escada muito bonita e uma cascata d'água fantástica e fiquei pensando que no lugar daquele enfeite todo cabia uma plataforma para os 'matrixianos'. Uma plataforma básica custa, em média, 7 mil reais. O que são 7 mil reais para o grupo dono desse e de outros restaurantes famosos no Guarujá? Nada! E outra: a plataforma seria, sem dúvida, bem mais útil e, até mesmo, mais bonita se colocassem umas luzes de natal... risos. Mas tudo bem, já tinha uma entrada acessível, um verdadeiro avanço. Quando a conta chegou na mesa eu não me aguentei e perguntei para o mesmo garçom:
'Moço, onde está a rampa para o segundo andar?'
'Rampa?'.

'Sim, moço. Quando entramos você disse que havia uma rampa.'
'Eu falei?'.
Não, o Papai Noel... foi o que fiquei com vontade de dizer, mas tenho educação.
'Sim, sim. Você falou.'.
É óbvio que não havia rampa para o andar superior, caro leitor internauta. O garçom ficou absurdamente constrangido e eu achei uma graça danada da cara de 'me ferrei' que ele fez. Para diminuir o mal-estar do rapaz eu brinquei: 'Moço, moço... você estava tentando nos ludibriar.'. Eu, graduada em Psicologia, até agora não consegui entender por que o garçom fez isso... risos.

Moral da história: A mentira tem perna curta e não sobe escada!

Endereço: Av. Mário Ribeiro, 1469 - Praia de Pitangueiras - Guarujá/SP

Amanhã (05 de outubro) é meu aniversário. Postarei sobre meus 26 anos.

Beijos!