segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Um celular e um ato-falho

Semana passada, indo trabalhar, achei um celular na rua a umas três quadras daqui de casa. Na verdade, foi meu pai quem viu o telefone no chão e não faço idéia de como ele conseguiu enxergar aquele 'trocinho' mesmo passando de carro. Além do mais, meu pai é o cúmulo da dispersão em pessoa. Mas enfim... era um celular bem bonito, moderninho e tal. Me senti meio mal, mas vasculhei a lista de contatos tentando achar alguma koisa do tipo 'minha casa' ou 'meu número', mas não encontrei. Então vi as últimas chamadas feitas e vi um número discado umas trocentas vezes. Apertei o 'send' e, para o bem da nação e da dona do telefone, o marido dela atendeu. Expliquei a situação para o moço, que eu havia achado o celular na rua, que eu estava ligando para o número mais discado, etc... e combinei um lugar para entregar o telefone. O cara nem sabia como me agradecer. Nem precisava, né? Não fiz mais que minha obrigação. Até aí tudo certo. Cheguei no trabalho e contei para uma colega sobre a minha boa ação do dia. Acredite: ela me respondeu com um 'Sério? Essa sorte eu não tenho... '. Como assim 'sorte', caro leitor internauta? Sorte de quê? Por uns três segundos fiquei paralisada tentando assimilar o que eu havia escutado. Então perguntei a ela: 'O que eu faria com o que não é meu?'.

Sou muito expressiva e, como psicóloga, tenho que me esforçar ao máxmo para estar preparada para ouvir qualquer koisa com a mesma cara de neutralidade. Tenho que manter o semblante 'zen' mesmo que o paciente diga que casou, que engravidou ou que matou alguém com a mesma cara de 'paisagem'. Se bem que, dependendo com quem você casa ou de quem engravida, é a mesma tragédia do que assassinar alguém certo?... risos. Bom, então, como eu não estava exercendo meu ofício naquela ocasião, senti que não me esforcei nada e fiz a cara mais assustadora da face da Terra - tipo essa do Nhonho, na foto. A pessoa, vendo minha desaprovação, resolveu tentar consertar o que seu inconsciente havia denunciado. Ah sim, caro leitor internuta, para a Psicologia, um deslize desse é chamado de 'ato-falho'. Sabe quando você está lá no chamego com um gatão e, de repente, você chama o nome do seu ex? Pois é, não tente disfarçar, seu inconsciente é realmente um 'filho da put*' e te entregou. Foi isso que aconteceu com minha colega. Já era tarde para desculpas. Eu entendi, perfeitamente que, se fosse ela, bem provável que a dona jamais reencontraria seu celular.

Para mim, devolver um objeto perdido a quem pertence é tão simples... dispensa qualquer hesitação, qualquer dúvida e qualquer explicação. Aqui em casa eu cresci ouvindo meu pai dizer: 'Não faça para os outros o que não gostaria que fizessem para você!'. Se um dia eu também perder um objeto, como poderei querer que me devolvam se eu tiver um pensamento chulo e mesquinho tipo esse da minha colega? Prefiro ficar com a filosofia de Gandhi: 'Seja a mudança que deseja ver no mundo!'.

Pratique o bem. Não dói nada!

Boa semana, queridos!

4 comentários:

  1. Aaaaaaahaha...

    Já aconteceu isso comigo também Kaka, mas meus pais não me deixaram ir entregaaaar... :( O pai que foi se encontrar com a mulher lá.

    Mas que coragem hein... Mesmo que eles tivessem deixado eu ir, eu pediria para que um deles fossem mesmo. Não iria sozinha não!!

    Corajosa! Beeeeeeeeeeeijos!!

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  2. certinho Kaka,faria a mesma koisa.O mundo precisa de um pouco de honestidade e alguém tem que começar.Abraços

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  3. Vc é um exemplar raro de ser humano, chica...

    abraço grande.

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  4. Karla, eu já achei cheque na rua. Era só depositar não? hehehe, mas procurei na lista e descobri a pessoa. E era um salário inteiro de alguém. A pessoa me agradeceu de joelhos. Imagina não devolver um celular?

    Beijos

    ah, amo atos falhos...

    ... dos outros, claro.

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