quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cara de quê?

Olá, caro leitor internauta!

Sábado ensolarado. Foi assim que começou meu 3 de julho. Dia de muita disposição, de deixar de lado as botas e colocar um tênis para caminhar. Nada de casacos, cachecol, etc. Vesti uma regata, pois era a roupa mais apropriada para o clima. Fui de carro até a loja de artesanato da minha tia e desci a avenida principal andando, sozinha (as calçadas daqui me permitem fazer isso). Fui até a locadora e ao supermercado. Olhei algumas vitrines e encontrei a Natita e o Léo (meus amigos) também dando uma caminhada e aproveitando o sol. Durante minhas andanças pela cidade, sempre acontece uma koisa engraçada comigo: encontro pessoas que me conhecem ou que conhecem a minha família, mas que eu sequer sei o nome ou de quem se trata. Até aí tudo bem, afinal, moro numa cidade bem pequena e eu, segundo minha mãe, sou mais conhecida que o carrinho da pipoca. Porém, essas pessoas param para conversar comigo. Perguntam como estou, como vai minha família e até meus cachorros... risos. Eu, claro, procuro ser educada sem deixar transparecer minha 'cara de ponto de interrogação' tentando adivinhar quem é aquela pessoa que sabe tanto de mim. Nesse mesmo dia que saí para andar, uma senhora me encontrou na rua e, dentre todas as perguntas que me fez, estava a em quê eu havia me formado. Olha, caro leitor internauta, já vai completar 2 anos que me formei e ainda responder isso soa meio estranho para mim. A minha agenda é tão maluca, eu corro tanto durante a semana que tenho impressão que já sou psicóloga há anos. Mas tudo bem, respondi que era graduada em Psicologia. A mulher disse, instantaneamente: 'Ah, você tem mesmo cara de psicóloga!'. E agora, caro leitor internauta, como seria uma 'cara de psicóloga'? Ela estava me elogiando ou me criticando? Que tipo de imagem uma psicóloga tem para aquela mulher? Não sei, mas fiquei bem intrigada. 

A afirmação que mais ouço em ralação a isso é: 'Você não tem cara de 25 anos, parece bem menos.', mas isso atribuo mais ao meu (pequeno) tamanho (1,50cm) do que à minha cara em si... risos. Outro dia, a noiva de um primo meu lá de Joinville me mandou uma mensagem me indicando a leitura de um livro porque ele era 'a minha cara'. Na semana que passou, a paciente da minha amiga que aguardava na recepção da clínica, cochichou com a filha a meu respeito: 'Ela tem cara de saúde.'.  E, não sei se você lembra, mas noutro dia uma aluna lá da APAE disse que tenho 'cara de artista'... essa foi demais! É nesse ponto que quero chegar com você, caro leitor internauta. Então eu tenho 'uma cara'? Mas cara de quê?

Existe aquela gentil, educada, teimosa, ciumenta, amiga, carinhosa, romântica assumida e irremediável. Aquela que não tolera mentira, injustiça, frescuras e vulgaridades. Aquela vaidosa, mas que adora andar de pijama nos fins de semana. Aquela paciente, ouvinte, questionadora. Aquela que agita as saídas da turma, que organizava as festas da facul, mas que também adora ficar em casa. Aquela otimista, mente aberta e positiva, mas que acha que o mundo está acabando quando fica na TPM. Aquela que gosta de flor, borboleta e cachorro, mas que tem medo de gato e de cobra. Aquela que não se apavora com barata, mas Deus me livre se vir uma lagartixa. Aquela que ama de paixão a família e que deseja muito construir a própria. Aquela que sonha em saltar de paraquedas, mas que tem pavor de agulhas. Aquela bem humorada, engraçada, que ri até chorar e a barriga doer com muita frquência, mas que leva tudo muito a sério. Aquela que vê no cuidado aos outros, uma forma de cuidar de si mesma. Aquela que já se surpreendeu e já se decepcionou. Aquela que adora chocolate e detesta refrigerante. Aquela que já secou os olhos de tanto chorar, mas que não perde o sorriso. Aquela adora a complexidade do único ser pensante, mas que é uma ignorante nata nas ciências exatas. Aquela que adora música, internet e Língua Portuguesa. Aquela que confia em Deus, numa força superior, mas que não é fanática. Aquela que foi excelente aluna e que se empenha para ser boa profissional. Aquela que come (quase) qualquer koisa, mas que detesta morango e ervilha. Penso que a vida é feita de detalhes, não de grandes eventos; e que a felicidade é o jeito de caminhar, é o caminho, não um ponto de chegada - como diria o poeta. Aquela que adora ler, mas que há dias não abre o livro. Aquela que adora filmes, mas que entregou o último na locadora sem ter visto porque não teve tempo. E eu tenho tempo para tudo, mas não tenho tempo para nada. Não tenho tempo a perder. Não me canso, não me estresso e não priorizo quem me trata como opção. Sou aquela apegada às pessoas que se apegam e que gostam de mim. Aquela que já mudou, casou, voltou e descasou. Que adora viajar e anseia conhecer o planeta, mas que sabe bem onde é o seu lugar. Sou aquela que adora viver tudo de verdade, seja bom ou ruim porque é isso que me dá sentido; porque sou gente que gosta de gente. Sou aquela que, entre a razão e a emoção, escolheu ser feliz. Que adora quebrar protocolos e que descobriu que a vida está apenas começando, pois o mundo tem muito a oferecer; que alcançar os objetivos só depende de mim. Sou assim e sou muitas outras. Mas sou, principalmente, aquela que ama os outros desinteressadamente, pela simples satisfação de amar.

Será que tenho cara de tudo isso? Ou será que tenho cara de outras koisas? Seria tão mais fácil se as pessoas tivessem 'cara-do-que-realmente-são', não é mesmo caro leitor internauta? Pouparíamos muitos desencontros e sofrimentos se soubéssemos logo 'de cara' quem é quem, concorda? Mas aí também perderíamos um bocado de oportunidades para aprender e crescer. E eu quero ter 'uma cara' para os outros sim, mas que seja uma cara verdadeira, que não seja muito discrepante daquilo que sou; sem rótulos e sem invenção ou distorção dos olhos alheios.

E você, caro leitor internauta, tem cara de quê?

5 comentários:

  1. Belíssimo texto! Adorei! Agora vou ficar pensando se eu tenho cara de psicóloga também!
    bjss
    Carol

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  2. é Kaká... aqui é uma belezura, já viu né. Sorte a sua que se habilitou aí.

    Nossa, você é famosa aí hein, rs. Kaká, achei lindo seu post. Não sei se teria tamanha inteligência para me descrever, em cada detalhe. Acho um tantinho difícil lançarmos um olhar sobre nós mesmos. (Parabéns!) Concordo contigo quando disse que seria bem mais fácil se soubéssemos logo, olhando para a pessoa, quem ela é, mas que também, além de nos poupar de sofrimentos e decepções, pouparia nosso crescimento como pessoa.

    Ah, a maioria das pessoas (minhas amigas e amigos, antes de me conhecer) dizem que tenho cara de metida, nojenta... mas eu sou legal! :) rsrs.

    Obrigada pelo coment!

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  3. Ah, ADORO isso novo que colocou no seu blog: "Frase da semana"

    Beijooooos

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  4. "Seria tão mais fácil
    se as pessoas tivessem
    'cara-do-que-realmente-são'"

    Evitaríamos decepções,
    mas também inexistiria
    qualquer surpresa...

    Algo é certo:
    é imprescindível
    que sejamos autênticos!
    E isso já facilita muito!

    Beijo,
    Doce de Lira

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  5. Adoreii o post ká! Você como sempre escrevendo muito bem... e conseguiu transparecer o q vc é msm... beijosss guriaa!!

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