sábado, 8 de maio de 2010

O corpo fala!

Ai, meu Deus! Estou toda empipocada!
Na verdade, eu estava empipocada só da cintura para cima. Mas foi essa minha constatação quando acordei na última quarta-feira. Há umas três semanas meus pais e meus irmãos viajaram para o oeste do estado e um deles trouxe o vírus da Varicela incubado. Sim, caro leitor internauta, acredite se quiser, eu, uma marmanja de 25 anos, estou com doença de infância: a conhecida catapora. O jeito foi tomar coragem e ir ao médico, pois eu precisava de um atestado para apresentar no meu trabalho. E olha que foi uma coragem tirada das profundezas porque essa doença dá uma dor terrível no corpo. Tomei um banho e caprichei no rímel (porque os meus cílios, pelo menos, estavam intactos... risos).
Cheguei na clínica e nem sentei no sofá da recepção, fiquei de pé mesmo próxima do balcão já que o Dr. Juarez nunca se atrasa e eu tinha chegado em cima do horário. Além do mais, eu não queria colocar os outros pacientes que aguardavam, em risco, certo? Bom, o Dr. me chamou e lá fomos até o final do corredor, já conheço bem esse caminho. Deixa eu contar para você quem é o Dr. Juarez... é uma figura impossível de não ser notada. Ele é clinico geral, deve ter uns 2m de altura, tem um rosto enorme, um cabelo grisalho, pouco menos de 100 anos e é diferente da maioria dos médicos que você já conheceu por aí: sempre tem uma história ou uma metáfora para explicar sobre a doença que você tem. É como se ele puxasse um arquivo dentro do cérebro no momento em que ouve ou constata o nome do seu problema. Aham, eu também acho que ele tem uma memória de elefante. É incrível! Deve ser a versão Beta, Alfa ou sei-lá-o-quê do Google. E se você tem muita pressa, marque sua consulta com ele no último horário da sua agenda.
Então me sentei na frente dele e disse: 'Dr, tô com catapora.'. Ah, mas isso era meio óbvio dada a minha cara mais sardenta que a do Chaves. 'Não tem o que fazer, minha querida, o jeito é curtir essas pintinhas e esperar a pele nova nascer.'. Ah, mas que beleza. Que ótima notícia ele tava me dando! Como se fosse realmente possível 'curtir' uma coisa horrenda dessas! Sem contar que aí cabe uma bela análise psicológica do 'causo' todo, mas deixemos isso para outra hora.
E ele continuou: 'Posso te dar um gel, caso você tenha coceira.'. Sei, então ainda estou no lucro, pois não senti coçar nada. Falei para ele que coceira não tinha, mas que estava com febre, muita dor no corpo e de cabeça. Ele me receitou um remedinho, um gel (se surgisse plurido - esse é o nome bonito da 'coceira', para eu não ficar repetitiva) e me recomendou não tomar Aspirina (de jeito nenhum mesmo, tipo 'nem a pau Juvenal!').
'Sabe, me lembro, como se fosse hoje, da minha aula de infectologia, na faculdade...'
Aí, não falei? Estava demorando, pensei. '... meu professor dizia que a Varicela é como um céu cheio de estrelas. Umas estão mais longe, outras mais perto e, enquanto umas nascem, outras morrem.'. Nossa, que bonito e filosófico, mas na prática eu estava longe (beeeem longe) da beleza de uma noite estrelada... risos.
Enfim, era chegada a hora de redigir o atestado. Lá pelas tantas ele diz: '... por 10 dias...'. Quê? Dez dias de atestado? Ai, caraca. E meus compromissos? E meu trabalho? E meu fim de semana? E minha ida a Floripa para levar minha avó e a tia no aeroporto? Dez dias é muito tempo! Ele fez as contas comigo e dez dias dá até sexta-feira que vem. 'Ah, Dr., mas sexta tenho aula à noite em Floripa. Posso ir?', confesso que fiz uma cara de cachorro-sem-dono (tipo esse da foto) e quase me pendurei no jaleco dele gritando 'Diz que sim, diz que sim, diz que sim, por favor!'
'Tá bom, vá à aula, mas agasalhe-se bem e, até lá, nem pense em sair de casa.'
Voltei para casa, troquei de roupa... voltei para o meu pijama. E por que razão estou contando isso tudo a você, caro leitor internauta? Simplesmente para você fazer o favor de não vir me visitar caso ainda não tenha tido catapora. Como você pode perceber, nunca é tarde demais! Prometo que me contentarei com e-mails, torpedos, scraps e telefonemas de melhoras (e de piadinhas) como meus amigos e parentes já têm feito... risos... Brincadeira, estou contando porque eu já tinha me esquecido do quanto é entendiante ficar em casa sem nada para fazer. Com dias assim isentos de qualquer responsabilidade eu deveria estar contente, poderia fazer meus relatórios, digitar minhas coisas, terminar de ler o livro que estou lendo, mas essa dor no corpo e na cabeça são incessantes e mal me deixam assistir um filme. Para você ter noção disso tudo, eu nem consigo ter vontade de usar o computador (é, está feia mesmo a coisa). A propósito, aproveitei que as dores foram ali tomar um cafézinho e vim escrever esse post para você. Mas logo voltarei para os meus companheiros da semana: termômetro, cobertor e um frasco de Hixizine.
Poxa vida, tudo que eu queria era estar com saúde para voltar ao meu trabalho. Fiquei pensando, pensando e o fato é que, quando estamos muito envolvidos numa rotina frenética, o corpo nos faz, de algum modo, desacelerar. É como explica a teoria reichiana: o corpo fala. Pois é, e o meu gritou!   


* Caro leitor internauta, finalmente consegui carregar no YouTube um dos vídeos da minha aula de trânsito.
Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=bHEk0QDBy68

3 comentários:

  1. A minha catapora coçou muito... é a única coisa que me lembro. E não fiquei com nenhuma marca.

    Tá passando, tá passando...


    beijos

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  2. melhoras ae chica.. (aliás, já está melhor?...)

    *bacanaço o video... fiquei feliz da vida aqui de te ver 'em ação'... (de certa forma, já posso teclar q ja te conheci... lero lero...)

    besos de saudades suas.

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  3. kkkkk vc com 25 anos e catapora, NOSSA! rs.

    Seu médico dever ser o máximo, e as analogias q ele faz melhor ainda!!

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