sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Arte de Tentar Psicologizar

Bom dia, caro leitor internauta!

Eu sumi, não é mesmo? Minha última postagem foi há 5 dias. Um recorde!... risos. Pois é, por conta das chuvas incessantes que têm ocorrido aqui em Santa Catarina, eu fiquei uns dois dias sem internet (nos outros três não tive tempo). Choveu meeeesmo por aqui, o segundo maior volume em 89 anos. É mole? Eu já não aguento mais ligar a TV e ouvir falar em chuva. Até já decorei a fala do metereologista: '... hoje o tempo será nublado com pancadas de chuva. Nas próximas horas, alertamos para o aparecimento de uma frente fria e um ciclone extra-tropical...'. Aliás, esse tal de 'ciclone' já está virando um tipo de 'primo' próximo que aparece quase toda semana na casa dos 'parentes' sulistas, em especial, os que moram no litoral. Já estamos virando pinguins! Culpa de quem? Da natureza? De Deus? Que nada, culpa de nós, humanos, que poucas vezes somos humanos, de fato, com o mundo em que vivemos. Desmatamos, jogamos lixo no chão, etc. Qualquer hora, esse assunto renderá um post.

Mas enfim, hoje a minha postagem refere-se à estranheza que tenho na aplicação de alguns conceitos ditos aleatoriamente, sem propriedade, por qualquer pessoa. Percebo, com frequência, que as pessoas têm a mania de usar termos de algumas profissões sem saber seus verdadeiros significados. Com a minha profissão? Ulalá, não é diferente. Aliás, acho que a Psicologia é uma das áreas que mais possui seus termos utilizados, indevidamente, na 'boca do povão'. Acredito que esse hábito está ligado à falta de conhecimento e informação das pessoas, o que as leva a vulgarizar um termo que desconhecem, mas que usam como se tivessem a nítida noção do que estão falando. A Medicina é outra 'vítima' dessa prática que nossas mães e avós conhecem bem. Se você diz que está com dor de barriga ou de cabeça... nossa, lá vem uma lista gigante de diagnósticos com seus respectivos chás curativos. E ai de você se não tomar!
Bem, denominarei esse hábito de 'psicologizar'. Eu nem sei se o verbo 'psicologizar' existe, mas se não consta no dicionário, acabei de inventá-lo... risos.

O primeiro erro bem comum: achar que psicólogo e psiquiatra é a mesma coisa. Nããão! Aí vai a explicação: o psiquiatra é formado em Medicina e fez sua residência em psiquiatria. Ele receita os remédios para os transtornos em que é necessário intervir com medicação, por exemplo: depressão, ansiedade, esquizofrenia, dentre muitos outros. Além disso, o acompanhamento do psiquiatra é mais espaçado, pode ser uma vez no mês ou a cada 2 meses, 3 meses, 6 meses, dependendo do quadro clínico. Já o psicólogo faz a faculdade de Psicologia e o paciente vai às sessões, no mínimo, uma vez por semana, dependendo da abordagem utilizada (abordagem é o método de terapia que cada psicólogo escolhe para trabalhar. Pode ser abordagem psicanalista, comportamental, existencialista, psicoramática, etc.). Ele não pode receitar remédio, pois essa é uma função exclusiva do psiquiatra. Vale lembrar que é recomendável que todo mundo que faz uso de psicotrópico, faça acompanhamento psicológico também, pois a medicação apenas eliminará os efeitos físicos do problema do paciente, mas sua causa só poderá ser resolvida com terapia. Em contrapartida, nem todo mundo que vai a um psicólogo precisa ir a um psiquiatra ou tomar medicação. Dependendo do caso, apenas a terapia já é suficiente para sanar o problema. Entendido?
Aliás, aqui tenho uma crítica quanto ao uso abusivo de ansiolíticos, anti-depressivos, etc. Não cheguei a contar para você, caro leitor internauta, mas mês passado estive na I Conferência Microrregional de Saúde Mental da Grande Florianópolis que envolvia 14 municípios. Fui à convite da equipe da saúde aqui da minha cidade. O evento reunia vários tipos de profissionais: enfermeiros, médicos, psicólogos, etc. Lá pelas tantas um médico que estava na platéia fez um comentário plausível. Ele disse que hoje em dia as pessoas acham que há comprimido para tudo. Então se a guria vai mal numa prova de faculdade, ela toma um Fluxetina; se a mulher briga com o marido ela toma um Lexotan e por aí vai. É um absurdo! Sou a favor do uso do remédio. É óbvio que em alguns casos é essencial para o tratamento, mas sou absolutamente contra o uso indiscriminado. Temos que parar para pensar quê dificuldade é essa de lidar com as questões emocionais, minha gente. Medica-se o efeito, nunca a causa. Com certeza já devem estar pesquisando uma Pílula da Felicidade e o pior é que terá comprador para isso!
Outro erro: achar que livro de auto-ajuda é Psicologia. Ah, não. Eu nem sei nomear, mas é tanta baboseira nesses livrinhos que pode ser qualquer coisa, menos Psicologia.

Mais um erro: todo mundo se acha meio psicólogo. Ontem estava tomando café da manhã e assistindo a Ana Maria Braga. Estava rolando um bate papo sobre festa de casamento. De repente, o fotógrafo convidado do programa solta essa: 'Quando a noiva fica muito nervosa, eu viro o psicólogo dela.'. Ahhhhh, pára, né? Tive um 'momento Amy Winehouse' nessa hora. Fiquei muito irritada. Por que fiz 5 anos de faculdade, então? Era suficiente eu ter feito um curso de fotografia para virar psicóloga e ninguém me avisou nada? Como assim?

Mais um erro: confundir terapia com terapêutico. Geralmente, as pessoas dizem: '... fazer tal coisa, para mim, é uma terapia.'. Não, não é não. Terapia é o que se faz com o psicólogo. Fazer artesanato, andar de bicicleta, ir na academia, dançar, tocar um instrumento, ou qualquer outra coisa que te faça bem é terapêutico. Escrever nesse blog é terapêutico para mim, mas terapia eu faço bem longe daqui.
Sem contar nas vezes que vejo qualquer criatura falando de inconsciente, subconsciente, interpretação de sonho... faz doer os ouvidos... risos. É muita imaginação!
Acho tudo isso, no mínimo, cômico (para não dizer trágico).

Será que Freud explica?!

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Hum... excelente este post Kaka. Ficou bem claro. Psiquiatra, psicólogo, terapia, terapêutico... É terapêutico pra mim fazer compras e preciso fazer terapia para ser ajudada a entender mais minhas emoções e sentimentos!! ;) Aprendi hein rsrs. Mas fiquei curiosa quanto ao que você tem a dizer sobre o inconsciente, subconsciente... Beijos!

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  3. creio q nem Freud explica...

    mas o q acontece com a sua profissão, acontece com a minha tbm.. todo mundo se acha meio designer e acha q design é isso ou q é aquilo...

    o problema tem origem - assim como a grande parte dos problemas da sociedade (pra não teclar todos)- na ignorância...

    *triste, n?

    besos, chica morena.

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