quarta-feira, 14 de abril de 2010

Descobridor dos 7 mares, navegar eu quero...

Caro leitor internauta, você deve estar curioso para entender por que o dia 29/01 foi tão marcante pra mim, como eu disse no post anterior.

Explicarei, então...

Depois que eu e meu pai almoçamos no restaurante do aeroporto, nos dirigimos ao andar térreo para fazer o check-in. Andei muito até chegar no balcão da Gol. Lá, eu soletrei o meu localizador (código eletrônico da passagem que é gerado quando você compra online) para a atendente e entreguei minha mala para ela colocá-la na esteira rumo ao avião. Em seguida, a mesma moça me deu um ticket correspondente à minha passagem e outro de Priority (pois eu havia solicitado serviços especiais no ato da compra da passagem - assunto esse tema do próximo post). A moça me deu, então, todas as instruções para usar o Priority  quando eu chegasse na sala de embarque. Me dirigi até a entrada dessa sala com uns 40 minutos de antecedência do horário do voo. Me despedi do meu pai carregando uma bolsa no ombro e outra na mão com um presente para a Rubia (afinal, seria uma vergonha eu passar 5 dias na casa dela e não levar uma lembrança, né?). Entrei na fila pra entrar na tal sala e, pela primeira vez na vida, percebi que eu era a única responsável por mim mesma daquele momento em diante (ou pelo menos até chegar em Congonhas... rs). Me senti um pequeno passarinho de carne e osso rumo a um gigante pássaro de lata. Coloquei as bolsas na esteira-indiscreta que vê tudo que carregamos e não avistei mais meu pai. Passei por aquela portinha e... piiiiiiiiiiiiiiiiii! Sim, o detector de metais apitou. O cara da Polícia Federal me chama e pergunta se posso ficar em cima de uma pequena plataforma de ferro para ele me revistar. E sou louca de dizer que não? Faço 'estátua' e o cara passa perto do meu corpo um detector que mais parece uma chapinha. Ufa! Tudo certo. Foram minhas jóias de prata que fizeram tudo disparar. Pego minhas bolsas no final da esteira e sigo em frente. Me deparo com uma sala absurdamente lotada de passageiros e vou até a outra moça da Gol entregar o tal Priority; fico apenas com o ticket da minha passagem em mãos. Ela diz que posso sentar e aguardar, pois ela me chamará quando for a hora do embarque. Eu olho pra trás e vejo apenas uma poltrona vazia. Vou em direção àquela poltrona e ao chegar bem em frente a ela... tchan tchan tchan tchan... esbarro com o Tino Marcos também querendo sentar ali. Ele sorri com cara de 'É a filha do papai-gaio' e diz 'Por favor, pode sentar.'. Eu também sorrio, agradeço e sento. Ao sentar, eu, com toda a minha 'estabanadez' cutuco, sem querer, o moço à minha esquerda. Que vergonha! Peço desculpas mesmo sem olhar para o rapaz. Me acomodo e começo a observar o tal 'vizinho' discretamente, claro, com o canto dos olhos. Achei o tipo bonitão, mas meio estranho, meio hippie moderno, meio peruano, meio carinha de 'O Náufrago': barba grande, cabelo sem corte, com uma viseira escrito 'Punta Del Leste', muito queimado do sol, vestia apenas camiseta e bermuda, nenhuma bolsa ou mala por perto, portava um notebook no colo e um iPhone com o visor quebrado na mão. A observada já durava muito tempo e eu resolvi olhar novamente para frente antes que o cara me flagrasse. Percebi que aí começava a observação dele a mim... rs. Lá pelas tantas o cara me pergunta para onde estou indo. Eu levei um susto. Primeiro, porque não esperava um contato e, segundo, porque ele falava português... rs. Respondi que estava indo para Congonhas. Ele também estava e, por coincidência, no mesmo voo que eu. A conversa rolou e rolou e rolou. Descobri que o tal moço, de nome Richard, mora em Sampa - capital, e tinha passado os últimos 10 dias num veleiro vindo de Punta Del Leste até Floripa. Participara de uma competição com um amigo (Tomás, do Guarujá). Além disso, fiquei sabendo que é formado em Economia, especialista em Marketing e que trabalha numa empresa de e-commerce. Me contou que conhece Garopaba (minha cidade), que tem 35 anos (mas cara de 27. Imagina só se ele estivesse arrumadinho e de barba feita!) e que tem dois irmãos dentistas que moram na Itália. Mas o que mais me impressionou não foram seus lindos olhos verdes, mas seu olhar inexplicável, arrebatador que parecia se comunicar com a minha alma (sem exageros!). Tenho certeza que tive um verdadeiro encontro (como dizia a professora Talita) com seus olhos. Cena de filme ou de novela mesmo! A conversa estava boa, mas a moça da Gol veio me chamar para o embarque, pois eu seria a primeira a entrar no avião. Bem depressa, o Richard perguntou para ela se ele poderia sentar ao meu lado durante a viagem. Ela respondeu que precisava ver com quem havia comprado a poltrona, já que o voo estava lotado. Ele disse que tudo bem. Nos despedimos e fui até a pista do aeroporto com a companhia da moça. Lá, na escada de acesso à porta do avião, já estavam dois funcionários da Gol a postos para me ajudar - caro leitor internauta, como já disse anteriormente, comentarei no próximo post sobre a acessibilidade dos aeroportos e serviços que as empresas aéreas oferecem aos portadores de necessidades especiais, inclusive sobre subir e descer as escadas de acesso aos aviões. Me sentei na poltrona 3C. Na janelinha sentou uma guria magricela antipática e, ao meu lado, um cara engravatado (que, aliás, só sentou, pegou no sono e roncou antes mesmo que todos os passageiros entrassem). Depois de um tempo, o Richard entrou, passou por mim, olhou o cara roncando, fez cara de 'Fazer o que, né?' e seguiu para sua poltrona, a 8D. Eu passei os 45 minutos de viagem me perguntando se eu deveria dar ou não o meu e-mail por meio da aeromoça. Não o fiz. Quando aterrissamos em Congonhas, esperei todo mundo descer. Para a minha surpresa, o Richard passou por mim e disse: 'Espero você lá embaixo, tá?'. Ai, my God. Sério isso? Respondi, sorrindo, um 'Tá bom'. Depois que todos desceram na pista, vários ônibus do aeroporto os levaram para a sala de desembarque. Eu desci pela outra porta e fui num outro veículo. Nisso, a Rubia já estava me ligando desesperada querendo saber onde eu estava. Quando cheguei na porta de entrada, um funcionário da Gol me esperava e foi me guiando. Sobe elevador, anda pra lá, anda pra cá. Ele pediu para eu sentar e pergunta para onde é minha conexão. Ah, nããão! O cara tinha me levado para outro lado do aeroporto. Ele pediu mil desculpas e me levou para a sala de desembarque. Me ajudou a 'pescar' minha bagagem na esteira e me dirigi em direção a Rubia que me esperava ansiosamente. Mal abracei minha amiga e comecei um incessante 'Cadê ele? Cadê ele?'. Sentamos num café por ali, contei toda a história para a minha amiga (que queria me matar por eu não ter dado meu e-mail a ele) e constatei que o pior havia acontecido: eu tinha perdido de vista o Richard, carinhosamente apelidado pela Rubia de 'Descobridor dos 7 Mares'.


Morais dessa história:

* As aparênciam enganam e você deve se permitir saber por quê.
* Nunca deixe para fazer depois o que você tem vontade (e pode) fazer agora.
* Tudo vale a pena quando a alma não é pequena - Fernando Pessoa.
* E, a mais importante: embora que eu nunca mais o veja, também nunca mais esquecerei a satisfação em conhecê-lo. Mesmo assim: se você conhece o Richard, por favor, me avisa!... rs

2 comentários:

  1. Hum, n conheço o Richard... mas se ele conhece Garopaba, não é tão impossível assim q ele reapareça por ae um dia...

    bem, bonita a história, chica... e deve ter sido realmente marcante mesmo.. vc se lembra bem dos detalhes (coisa q minha memória pouco 'treinada' n me permitiria sequer chegar perto disso... risas...)

    *depois quero saber das histórias de sua aula de trânsito..

    bai bai.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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