segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dedicado à Rubia...

Muita gente também tem me perguntado se não vou escrever sobre minha passeada em SP, caro leitor internauta. Antes, me sinto na obrigação de falar sobre a Rubia, minha melhor amiga, pois foi na casa dela que me hospedei durante aqueles 5 (ótimos) dias. Como posso falar da minha estada lá sem antes comentar sobre a anfitriã? É como pré-requisito, se é que você me entende. Além do mais, eu já havia dito aqui que dedicaria um post a ela, se é que você se lembra.

Confesso que, ultimamente, ando com a 'Síndrome da Prolixidade Para Escrever', então não culparei você caso se sinta cansado de ler esse texto até o último ponto final.

Bom, me lembro bem da primeira vez que vi a Rubia. Foi na faculdade, num 29 de agosto de 2005 (sim, sou ótima para guardar datas!). Eu fui a primeira a chegar à aula naquele dia. A sala tava vazia. Sentei-me em qualquer cadeira ali pelo meio. Meu Deus, em que mundo eu estava? Recém chegada à Baixada Santista, ou à Selva de Pedra, pensei eu. Deixe-me explicar. A turma já estava no segundo ano, fui transferida daqui (SC) pra lá (Santos/SP) - por motivos outros que não vêm ao caso - daí meu receio de ser uma caloura numa turma veterana. Depois de mim chegou a Filomena e sentou perto das janelas. Trocamos sorrisos e meia dúzia de palavras. Depois de um tempo, chegou a Patrícia Alejandra, parou na minha frente e disse com seu inconfundível sotaque da Patagônia: 'O que usted está facendo em mi lugar?'. Ai, caraca, era realmente uma Selva de Pedra, bem que eu tinha avisado a mim mesma. Até hoje eu e a querida da Paty damos risada dessa recepção calorosíssima... risos. Mudei de lugar e sentei perto da Filomena, aceitando seu gentil convite. Aos poucos a sala foi enchendo e as pessoas olhando com estranheza a estranha no ninho (no caso, eu). Lembro que achei muito engraçado de ver como as pessoas estavam encasacadas e nem estava tão frio assim (vai ver é porque eu vim do Pólo Norte, segundo a referência dos meus colegas... risos). Lá pelo meio da aula, uma mulher alta, morena, cabelo liso, sorridente se aproximou de onde eu estava sentada e se abaixou na minha frente.
- 'Você é aluna nova, então?', perguntou ela.
- 'Uhum, sou sim', respondi.
- 'E você veio de onde?', superinteressada.
- 'De Santa Catarina.'. Será que ela vai me receber bem ou vai me atacar?
- 'Poxa, que legal. Seja muito bem-vinda. Vamos descer pra tomar um café, se você quiser ir junto...'.
Ufa, eu não morreria atacada, vítima de 'universidadefobia'... não naquele dia e nem por aquela mulher, pelo menos.
- 'Vou sim, obrigada!', respondi aliviada.
Ali nascera uma grande amizade e muitos cafézinhos seriam compartilhados. Deus sabe o que aquela cantina da Unisantos testemunhou! Após certo tempo de puro coleguismo (os grupos eram bem fechados, mas me encaixei bem no meu), fui parar no grupo da Rubia, ou seria ela no meu? Não sei, sei que tudo se formou com um elo entre eu, Rubia, Carol, Jeovana e Letícia, ou seja, o 'Quinteto Fantástico e Inseparável' (na foto). A gente se dava (e se dá) muito bem... tão bem que a gente se respeitava demais ao ponto de conseguir discutir construtivamente. Graças a Deus, não sou nostálgica e não gosto ter saudades. Já diz o ditado: 'Recordar é viver'... mas caramba, o que vivi, está vivido e pronto. Perda de tempo ter saudades de eras passadas. Acho que não precisamos reviver nada. Digo isso sem amargura, mas com a conformidade/naturalidade de pensar que é para frente que se anda, certo? Entretanto, era tudo tão mágico que só consigo sentir certa saudade disso e da época em que eu via o Xou da Xuxa. Mas enfim, a Rubia nem loira é, então as semelhanças param por aí.
Para você, caro leitor internauta, começar a entender quem é essa minha amiga, devo dizer que ela é casada e tem dois filhos (lindos! o mais velho, inclusive, tem quase a minha idade), mas sua condição de mãe e seu estado civil jamais foram empecilhos ou desculpas e ela também nunca os negligenciou para ser a amiga presente que sempre foi. Seu codinome poderia ser 'pau-pra-toda-obra' ou 'arroz-de-festa', com propriedade. Sinceramente, não entendo como ela consegue isso... risos.
É do tipo de pessoa que você pode ligar a qualquer hora para gargalhar ou chorar ou para perguntar como é mesmo o nome daquela música que vocês cantaram juntas num outro dia (antes do Natal, ela me ligou para perguntar como era o nome de uma música do Michael Jackson que dizia 'Tchan na na nan nan...'. Sim, caro leitor internauta, até hoje nós também não descobrimos que raio de música é essa!). Você pode convidá-la para fazer qualquer programa de índio, como ir ao parquinho da praça ou ir tirar um raio-x do joelho (como já fizemos) que será muito, muito divertido. E você a encontrará nos momentos mais felizes, nos mais tristes e nos mais normaizinhos da sua vida, seja para puxar a sua orelha ou para você puxar a dela ou para filosofar sobre as letras de Chico Buarque ou só para bater um papo fiado. Ela vai te perdoar mesmo que você não saiba nada sobre Psicanálise ou sobre Dom Quixote (eu mesma nada sei sobre esse último). Ela vai entender perfeitamente bem (acredite) se seu inconsciente for um filho da p*** e denunciar seus desejos mais sórdidos através de atos falhos grotescos, mesmo que você não faça idéia do que isso tudo significa. E vai, sim, te levar para se aventurar num congresso de Psicologia em São Paulo, mesmo sem GPS na época, sem saber onde fica o tal local do evento, seguindo um cara careca solidário na ida e um fusca na vinda (e você achará que está tudo certo e animadíssimo, mesmo perdidas numa singela metrópole de 15 milhões de habitantes). A Rubia é leve e você verá muita essência, embora sua aparência seja, inegavelmente, imponente.
Ela está sempre de bom-humor e, nas raras vezes em que está abatida, recolhe-se porque sabe que ninguém merece ser saco de pancadas de ninguém ou liga/escreve para desabafar as angústias (somos iguais nisso!). Está sempre disposta a ajudar as pessoas ou a dirigir 800km só para dar um abraço e uma força quando sua vida sentimental desandar (sim, ela fez isso por mim e serei eternamente grata por isso – beijos pra Jeovana que veio junto!). Ela vai pressentir que você não está bem e te ligará para revigorar suas forças e vai, naturalmente, fazer você pensar que a vida é simples e maravilhosa.
É incrível como nossa amizade é imensa, uma fortaleza. Foi com a Rubia que aprendi que 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena', que 'cada um dá o que pode dar', que 'quem se abaixa demais mostra a calcinha'. Aprendi que amizade não é situação de poder, mas é ter vários papéis ao mesmo tempo: o de filha, o de mãe, o de irmã. É sentir-se sempre acolhido e nunca num jogo de interesses. Ela se sentirá orgulhosa pelas suas conquistas sem a mínima inveja e você aprenderá o mesmo, por mais egoísta e mesquinho que consiga ser. Aprendi a reconhecer o momento certo da oratória e da escutatória. Com seus sonhos loucos e suas analogias (mais loucas ainda), eu aprendi um bocado de coisas sobre a teoria freudiana (coisas que não aprendi nem nos bancos de faculdade!). A Rubia é o anjo da minha vida, dadas as circunstâncias que já dividimos uma com a outra. É muito profissional (sorte dos seus pacientes!). Ela dá palestra enquanto fala e faz caras e bocas durante uma conversa informal e você rirá antes mesmo que ela diga qualquer coisa engraçada (o que não demorará muito). Ela é ética em tudo e, se você não tratar tudo com muito respeito, nem se atreva a conhecê-la. Ela tem seus medos... não é perfeita, nenhuma deusa ou Mulher-Maravilha, mas não me arriscaria a descrever algumas de suas fragilidades e seus defeitos, pois os conheço e os aceito incondicional e reciprocamente. Aprendi com ela que a amizade independe da idade, da cor, da condição social, da distância, das formas, mas que depende do conteúdo... aprendi que é saber falar com facilidade das pessoas especiais e aprendi, dentre muitas outras lições, o verdadeiro significado do dizer: eu te amo, amiga.

* Grande beijo para o Quinteto Fantástico e Inseparável... Carol, Jeovana e Letícia. Também amo vocês.

2 comentários:

  1. ah, duvido q alguem se sinta cansado de te ler, chica...

    *parabéns pela postagem... foi a que mais gostei de ver por aqui até hoje...

    besos.

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  2. Muitoo bom heim guriaaa... isso sim é amizade, parabéns!! Sem palavras

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